O Sono da Morte

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Logo após perder o filho, o casal Jessie (Kate Bosworth) e Mark (Thomas Jane) aceita adotar Cody, um garoto de 8 anos. O filho adotivo se adapta bem à nova família, mas ele tem um problema: os seus sonhos se tornam realidade, e os pesadelos, especialmente, podem ser mortais. Assista ao trailer: 

O texto pode conter spoilers

Por que assistir?

Mike Flanagan já foi apontado não apenas aqui no 1 bom filme, como também em outros sites de crítica especializada, como um dos nomes mais promissores do cinema de terror contemporâneo. Eu particularmente ainda não consegui estabelecer com ele uma relação mais consistente, uma vez que entre seus 4 filmes a que assisti, 2 eu gostei (O Espelho e O Sono da Morte) e 2 não gostei (Hush e Ouija – A Origem do  Mal), embora concorde que em todos eles a parte técnica se sobressaia, seja no modo interessante de filmar e apresentar alguns planos, seja nas belas fotografias, ambientações sonoras, cenográficas e de iluminação, ou ainda na montagem. Assim, há nele uma parte técnica que muito me agrada, enquanto alguns enredos e o modo como são desenvolvidos não chegam a ser ruins – conseguindo inclusive destaque diante da quantidade de mais do mesmo que vemos por aí – mas pecando por terem roteiros um pouco frágeis demais. Aceitáveis e acima da média – é verdade – mas frágeis, parecendo incapazes de se sustentarem diante de uma análise mais profunda sobre suas intenções e amarras.

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Em O Sono da Morte todos esses aspectos são perceptíveis, para o bem e para o mal, mas a parte boa acaba prevalecendo – principalmente para quem não esteja preso a convenções do gênero de terror. Parece que um fator que atrapalha e contribui para comentários negativos a respeito de alguns filmes é o marketing mal direcionado, que faz os espectadores acreditarem que verão a coisa mais assustadora da vida e na hora não é bem assim. Essa expectativa errada, a meu ver, prejudica a experiência do espectador, que não é correspondido e se decepciona (pelo menos foi o que aconteceu comigo com Atividade Paranormal, só para citar um exemplo). O Sono da Morte não deixa de ser enquadrado como terror mas, assim como outros filmes do gênero que já indiquei, a maioria dos elementos do terror convencional (mortes, sangue, gritos, sustos) não estão lá, fazendo com que chamá-lo de “horror fantástico”, “suspense dramático”ou até mesmo “fantasia” talvez fosse o mais adequado. A estrutura e alguns de seus elementos visuais me lembraram Mama, filme que me agradou muito e também tem uma pegada mais onírica.

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Em O Sono da Morte acompanhamos a história do casal Jessie (Kate Bosworth) e Mark (Thomas Jane), que, ainda abalados com a perda do filho Sean (Antonio Evan Romero), decidem adotar uma criança, Cody (Jacob Tremblay), um garoto quieto de 8 anos de idade que já havia sido adotado antes. A assistente social acredita que devido a experiências traumáticas com as famílias anteriores, Cody passou a ter dificuldade para dormir, mas a verdade é que o garoto tem um dom: seus sonhos se manifestam fisicamente. O problema é que da mesma forma que os sonhos do garoto se materializam, os pesadelos também ganham vida, assustando a ele e a quem presencia os acontecimentos que se passam em sua mente enquanto dorme. Dito isso, fica clara a tentativa de exploração psicológica no roteiro, tratando sobre infância, influência do subconsciente em nosso comportamento e superação.

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Esse viés psicológico, porém, não é aprofundado como poderia, o roteiro preferindo não se arriscar e terminando com uma explicação um tanto didática demais (principalmente para quem já tinha conseguido perceber as pistas* dadas ao longo do desenvolvimento), embora necessária para que o propósito da trama seja atingido. Mesmo assim pode ficar a impressão de faltar esclarecimentos para quem gosta de tudo bem mastigado: Por que isso acontece? De onde vem tal dom? Como pode os sonhos se tornarem reais? O que aconteceu depois? são perguntas que podem surgir. Não foi o meu caso, e eu gostei bastante do que – e como – foi apresentado, tanto tecnicamente quanto na evolução e no desfecho da história: a fotografia é linda; os atores fazem bem o seu trabalho (Jacob Tremblay é um fofo!😍); a trama é bem construída e amarrada (mesmo que o final possa ser considerado aberto); o ritmo é lento mas não incomodou (tudo faz parte da construção); o uso do escuro é eficiente; a representação gráfica dos sonhos transmite todo seu caráter quimérico, com borboletas coloridas e reluzentes; a criatura do pesadelo pode não ser considerada das mais assustadoras, no entanto se encaixa no contexto da imaginação de uma criança (e pra falar a verdade eu fiquei com medo dela 😐). O final – com direito a uma “lição de moral” como em uma história para crianças dormirem – demonstra o caráter fabulesco, sensível (quase chorei, principalmente pela trilha sonora) e fora do comum de O Sono da Morte. Eu, como amante de contos de fadas, horror e fantasia, fiquei bem satisfeita com o que vi.

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Um bom filme pra você!

* PS: Não sei bem por que senti a necessidade de dizer para você prestar atenção à cena em que a Jessie pega uma borboleta com asas de cores diferentes (uma azul e uma marrom) na mão. A atriz tem olhos de cores diferentes também (um azul e um castanho) e Cody comenta antes que achou os olhos dela bonitos . Achei uma cena linda, que mostra bem a sutileza de tudo que virá a seguir. 😉

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Título original: Before I Wake (EUA, 2016)

Direção: Mike Flanagan

Roteiro: Mike Flanagan | Jeff Howard

Gênero: Fantasia | Terror fantástico | Drama

IMDB: 6,1

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