Halloween: 5 nomes do terror nacional e 4 bônus

Falar em terror no Brasil é lembrar de Zé do Caixão, e é ótimo que tenhamos um personagem tão icônico, que faz parte do imaginário mesmo daqueles que nada sabem sobre o seu responsável, José Mojica Marins. Mas, ainda que reconheçamos sua extrema importância para a disseminação do gênero, terror no Brasil não se limita a ele; na verdade, muito antes, lá nas décadas de 1930 e 1940, já havia o chamado cinema fantástico sendo produzido, filmes como O Jovem Tataravô (1936), Fantasma por Acaso (1946) e o terror representado por Ivan Cardoso em seu terror cômico, batizado de terrir, na década de 1970. A produção nacional de terror hoje é até bem ativa, mas infelizmente o preconceito com gênero ainda é forte. Espero que isso mude, mas por enquanto eu já fico feliz em falar de alguns realizadores e obras do terror brasileiro na atualidade, confira!

👉 Parte I: 5 personagens assustadores da literatura

👉 Parte II: 5 curtas de terror

2 bons diretores

Juliana Rojas e Marco Dutra

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Pude assistir a um oficina de maquiagem para filmes de terror ministrada por Rodrigo Aragão durante o Fantasnor (Festival de Cinema Fantástico do Nordeste), evento que aconteceu anos atrás em Aracaju e foi uma experiência incrível (voltei pra casa com uma ferida imensa na cara assustando as pessoas no onibus rsrsrs)! Para quem está por dentro do terror nacional, Rodrigo Aragão e sua trilogia Mangue Negro (2008), A Noite do Chupacabras (2011) e Mar Negro (2013) já são nomes bastante conhecidos, mas hoje o destaque vai para Juliana Rojas e Marco Dutra, que se formaram juntos na ECA-USP, onde se conheceram, e desde então firmaram uma premiada parceria. Os dois dirigiram juntos os curtas O Lençol Branco (2004) , selecionado para a mostra Cinéfondation do Festival de Cannes, Um Ramo (2007) e As Sombras (2009). O 1º longa deles, Trabalhar Cansa (2011), também foi exibido em Cannes, na mostra Um Certo Olhar. Colecionando prêmios nacionais e internacionais e com o longa As Boas Maneiras, com Camila Pitanga, em fase de pós-produção, os dois são bem sucedidos também em seus trabalhos solo: Juliana com a comédia dramática musical Sinfonia da Necrópole (2014) e Marco com Quando Eu Era Vivo (2014), protagonizado por Antônio Fagundes, Marat Descartes e Sandy Leah, e O Silêncio do Céu (2016), com Carolina Dieckmann.

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1 boa série

Contos do Edgar 

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Disponível na Netflix, Contos do Edgar – produzida por Fernando Meirelles e que foi ao ar em 2013 na Fox – adapta histórias de Edgar Allan Poe para os dias de hoje na cidade de São Paulo (são elas: Berenice, Metzengerstein, A Máscara da Morte RubraO Coração Denunciador , O Gato Preto e O Barril de Amontillado). A vida do personagem principal, Edgar (interpretado por Marcus de Andrade), sofre uma reviravolta após seu bar ser interditado pela prefeitura e sua esposa desaparecer. Quando seu amigo de infância Fortunato (Danilo Grangheia) aparece para ajudar, Edgar desconfia de seu envolvimento no ocorrido. Contos do Edgar tem 5 episódios no total, todos eles com nomes de mulheres. Assista ao trailer:

1 bom autor

André Vianco

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O paulista André Vianco é autor de mais de 20 obras sobrenaturais que misturam terror, suspense, fantasia, romance, geralmente utilizando vampiros como protagonistas. Seu segundo livro, Os Sete, lançado em 2000 de maneira independente e no ano seguinte republicado pela editora Novo Século, se tornou um best-seller e rendeu quatro continuações (Sétimo, O Turno da Noite Vol. 1, 2 e 3). Outra obra bastante conhecida e a preferida de muitos leitores é Bento (2003), que retrata um mundo pós-apocalíptico e acompanha Lucas, que durante a Noite Maldita caiu em um sono profundo e só acordou 50 anos depois em um hospital, em um mundo bastante diferente do que conhecia. Repletos de elementos da mitologia brasileira, os livros de André Vianco merecem ser lidos por qualquer fã de terror, que devem também acompanhar diversos escritores atuantes, tais como: Adriano Siqueira, César Bravo, Eric Novello, Giulia Moon, J. Modesto, M.D. Amado, Martha Argel, Nelson Magrini e um dos mais importantes – mas infelizmente pouco lembrado pela geração atual – autores da literatura de horror nacional: R.F. Lucchetti, hoje com 86 anos e mais de mil livros escritos. Eis um autor que, arrisco afirmar, se não fosse o preconceito com o terror no Brasil, muitas vezes vindo das próprias editoras que o obrigaram a usar pseudônimos estrangeiros para publicar, seria tão cultuado quanto Stephen King.

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1 bom jogo

Insanidade

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Criado pelo programador, designer e ilustrador Simperson Cruz, Insanidade é uma produção independente com bons gráficos e jogabilidade mediana que rende bons sustos. O jogador está na pele de um homem que, marcado por uma trágica noite, vai até o isolado hospital psiquiátrico Refúgio dos Anjos em busca de vingança. Sozinho e no escuro, tem apenas a luz de um celular para guiá-lo, e é preciso encontrar pílulas para recuperar a vida, alguns objetos e resolver puzzles para prosseguir. Insanidade lembra bastante Outlast e Amnesia, tem apenas 200 MB e não precisa ser instalado, bastando descompactar o arquivo, facilmente encontrado no Google para download gratuito.

Bônus

Zé do Caixão

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Como o tema é terror, me senti na obrigação de falar mais sobre o Zé do Caixão, cujo criador José Mojica Marins, começou a fazer cinema aos 12 anos após ganhar uma câmera. Autodidata, montou uma escola de interpretação para amigos e vizinhos e, ao 17 anos, fundou a Companhia Cinematográfica Atlas. Desenvolvendo um estilo próprio de narrativa e filmagem, abordando temas tabus e dirigindo cerca de 40 filmes, Mojica só veio a ter reconhecimento no país após se destacar no circuito internacional. Criou o Josefel Zanatas, codinome Zé do Caixão, em 1963, após um pesadelo e no mesmo ano o personagem protagonizou o longa À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1963), vencedor de prêmios internacionais. Zé do Caixão teve o visual inspirado em ícones como Drácula e Nosferatu, é um homem sem crenças e diz que as crianças são os únicos seres puros que existem. Ele apareceu em mais de 30 filmes, ganhou popularidade, comandou programas de TV (Além, Muito Além do  Além, O Estranho Mundo de Zé do Caixão, Cine Trash) participou de novela (Olho por Olho, da extinta Rede Manchete) e apareceu em diversas mídias, sendo ainda hoje uma forte presença no imaginário cultural brasileiro. Recomendo Encarnação do Demônio (2008) – filme que completa a trilogia composta por À Meia-Noite Levarei Sua Alma (também muito recomendado) e Esta Noite Encarnarei no Seu Cadáver (1967) – marca o retorno de Mojica à direção após 30 anos.

Terror em 1 Minuto

Websérie independente desenvolvida pela Guerrilha Audiviosiual na Veia e Cavalo Marinho Produções, Terror em 1 Minuto disponibiliza novos episódios com histórias diferentes e não relacionadas, toda quinta-feira às 20h em seu canal no YouTube .Tem muita coisa legal por lá e vale a pena dar uma garimpada. Confira um dos episódios, inspirados em A Bruxa de Blair:

Condado Macabro

O Brasil tem aumentado sua safra de filmes de terror, e, embora permaneça inconstante, algumas produções interessantes têm se destacado, a exemplo de O Caseiro (2015), Isolados (2014) e As Fábulas Negras (2014), bem como os longas de Marco Dutra e Juliana Rojas, citados acima e este aqui, Condado Macabro. Adaptado de um curta produzido para a faculdade há 13 anos, Condado Macabro é um slasher que reúne todas as convenções e clichês do gênero, acompanhando 5 jovens que vão passar um feriado em uma casa isolada e acabam sendo atacados por pessoas sedentas de sangue. Contada de forma não-linear, a história começa em flashback a partir do depoimento de um dos suspeitos, um homem fantasiado de palhaço encontrado na cena dos crimes que tenta provar sua inocência enquanto a investigação avança. Condado Macabro escancara sua referência a O Massacre da Serra Elétrica e sua intenção de homenagear o terror, residindo aí o seu mérito, apesar do tom excessivamente pastelão (como uma paródia). Mesmo longo (110min.), sem apresentar nenhuma novidade, com humor exagerado (por vezes ofensivo) e personagens e situações estereotipadas, Condado Macabro vale a assistida pelo bom desenvolvimento do suspense, reviravoltas e pela parte técnica, representada principalmente pela fotografia envelhecida e maquiagem. Dirigido por Marcos DeBrito e André de Campos Mello, Condado Macabro não é recomendado para menores de 18 anos. Assista ao trailer:

M is For Mailbox

Dirigido por Dante Vescio e Rodrigo Gasparini, do execelente curta Blondie e do longa lançado em  julho, O Diabo Mora Aqui, M is For Mailbox mostra uma inocente criança em busca de doces na noite do Halloween. Mais uma parceria que promete movimentar a cena do cinema de horror no Brasil:

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