#1bomlivro: Jogador Nº 1

O mundo nerd nunca esteve tão em alta como hoje em dia, e algumas obras servem como homenagens declaradas, como por exemplo Scott Pilgrim Contra o Mundo, indicado aqui semana passada. Ernest Cline é um desses nerds apaixonados, que já deu provas disso ao escrever o roteiro de Fanboys (2009), filme sobre de um grupo de amigos que resolve invadir o Rancho Skywalker e assistir em primeira mão a Star Wars: Episódio 1 em seu tão aguardado lançamento, e já dá para imaginar como o filme é recheado de referências. Com essa experiência, Cline partiu para escrever seu primeiro romance, agora não só falando de Star Wars, mas de tudo que viveu nos anos 1980, iniciando a viagem ao mundo virtual de Jogador Nº 1.

O ano é 2044 e o mundo vive uma recessão enorme, a maioria da população vive nas chamadas “pilhas”, que são como favelas formadas de trailers empilhados em condições bem precárias, e o grande escape do povo é uma plataforma virtual chamada OASIS, que funciona como um gigantesco jogo de realidade virtual guiando todo o mundo (as escolas são virtuais, bancos são virtuais, compras são todas feitas virtualmente e entregues na porta). O OASIS foi criado por James Halliday e seu melhor amigo Ogden Morrow, com a intenção de melhorar a vida das pessoas e servir como reunião de toda a cultura, para o livre desfrute de seus usuários.

É nesse cenário que conhecemos o protagonista da história, Wade Watts, 17 anos, usuário que utiliza o avatar Parzival (referência ao mais leal cavaleiro seguidor do Rei Arthur, que partiu em busca do Santo Graal). Wade mora numa pilha junto com sua tia e passa seu tempo explorando filmes, livros, músicas antigas e toda forma de conteúdo disponível no OASIS. Assim como toda a população, Wade recebe a notícia da morte de Halliday que, por não ter parentes vivos, abre seu testamento para uma grande caçada ao tesouro, que premiará o vencedor com o controle do OASIS e algumas centenas de bilhões de dólares.

“Três chaves escondidas abrem três portões guardados
E três boas qualidades deverão ser inerentes ao errante avaliado
Quem demonstrar ter os exigidos predicados
Chegará ao fim, onde o prêmio será alcançado”

Essa é a motivação para o desenvolvimento da história, e no meio disso tudo é legal acompanhar a trajetória do Parzival e seus aliados Art3mis, Aech e os irmãos japoneses Daito e Shoto durante a busca ao valioso Easter egg, em contraponto à IOI (corporação multinacional que deseja o controle comercial do OASIS). É interessante também comparar o mundo de o Jogador Nº 1 com a tecnologia que estamos vendo se desenvolver: um dos grandes destaques da E3 2016 (grande feira de eletrônicos voltada para games) foram os óculos de realidade virtual, que estão cada vez mais levando o jogador para dentro do jogo.

Será que um OASIS se tornará realidade? Tudo indica que sim, com produtores de jogos e filmes olhando com bons olhos para essa tecnologia e dispositivos unidos pela nuvem, como smartphones e computadores compartilhando o mesmo conteúdo. Uma crítica à intensidade dessa tecnologia vem a respeito do quanto viver no virtual pode ser prejudicial: em determinado ponto do livro, Wade se envolve tanto com a caçada ao Easter Egg que passa um bom tempo só vivendo disso, com os óculos, cadeira que simula movimento, alimentação por sonda e acaba quase definhando fisicamente.

Falando em Easter egg, ele pode ser interpretado de duas formas: a 1ª é aquela comum à Páscoa, em que as crianças caçam os ovos escondidos (usado como tema principal do livro), e 2ª é a que dá o charme a Jogador Nº 1, com o uso de referências durante a narrativa que para quem não conhece passa em branco, mas para quem conhece serve como homenagem a outras obras. O grande mérito do livro é servir de homenagem aos anos 1980: Halliday, como grande fã desse período, construiu seu legado em torno disso.

Para chegar ao prêmio, os caçadores devem – através de pistas – achar as chaves para terem acesso aos portões e enfim chegar ao tesouro. Todas as pistas envolvem elementos da cultura pop oitentista, como música, filmes (as obras de John Hughes, como Curtindo a Vida Adoidado, Clube dos Cinco, Gatinhas e Gatões, Mulher Nota Mil são imensamente veneradas durante o livro); desafios para atravessar os portões envolvem jogos de Atari, como o Joust. Além disso, como o mundo virtual não tem limites e tudo pode estar lá, você pode usar o Delorean do De Volta pro Futuro para se locomover, ou o sabre de luz do Luke Skywalker como arma. Vale citar também a grande batalha com robôs gigantes de clássicos japoneses, como Ultraman, Jaspion, dentre outros.

Por esse motivo, indico a experiência de ler e ir buscando essas referências, que é bastante facilicitada com a leitura através de leitores digitais como Kindle, Kobo, Lev, todos com buscas rápidas de significados e termos selecionados na internet. E outra dica: use as músicas citadas como trilha sonora durante a história, para criar o clima. Você pode pensar que seria bacana ver tudo isso adaptado para a telona, e bem, vai acontecer: já está em produção – e com estreia marcada para 2018 – um filme com a direção de Steven Spielberg, com Tye Sheridan (o Ciclope de X-Men Apocalipse) como Wade, Olivia Cooke (Eu, Você e a Garota que vai Morrer) como Art3mis e Mark Rylance (vencedor do Oscar 2016 de melhor ator coadjuvante em Ponte dos Espiões, também de Spielberg) como Halliday.

Um bom livro pra você!

 

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Título original: Ready Player One (EUA,  2011)

Número de páginas: 462

Gênero: fição científica

Editora: Leya

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