#Olimpíadas2016: Raça

Cinebiografia de Jesse Owens (Stephan James), atleta negro americano que ganhou quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, superando corredores arianos em pleno regime nazista de Adolf Hitler.

Assista ao trailer:

https://youtu.be/S3OeFRd9QDs

Continuando o clima de Olimpíadas, hoje a dica é Raça (Race no original, nome que brinca com os significados da palavra em inglês: raça (associado ao conceito de “etnia”) e também corrida), filme que narra a trajetória de Jesse Owens, velocista americano que participou – e protagonizou – os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936, conquistando 4 medalhas de ouro (nos 100 e 200 m rasos, salto em distância e revezamento 4×100 m), batendo 3 novos recordes mundiais em menos de 1 hora. Discriminado por ser negro, o maior triunfo de Owens foi desbancar em solo alemão a lógica de superioridade da raça ariana que imperava no regime nazista na época e, principalmente, desafiar a política de segregação racial norte-americana, se tornando herói de um país cuja sociedade ainda hoje continua a demonstrar sua intolerância (se é grande atualmente, imagina naquele tempo).

Raça mostra o início da carreira de Owens (Stephan James), a partir de 1933 – após ingressar como bolsista na Ohio State University, e chamar a atenção do técnico Larry  Snyder (Jason Sudeikis) – até sua consagração como o maior atleta das Olimpíadas de 1936, na Alemanha. Vemos pouco do seu círculo familiar (com a explicação de onde vem o Jesse, uma vez que seu nome é James), uma forçada de barra romântica, que usa uma briga com a namorada para justificar sua derrota em determinado momento, além de algumas situações gratuitas apenas para soltarem frases de efeito e lições de moral desnecessárias.

Há também uma contextualização superficial da tentativa de boicote aos jogos e dos aliados de Hitler (Adrian Zwicker, que mal aparece), nas figuras de um Goebbels (ministro da propaganda, interpretado por Barnaby Metschurat) intimidador com cara e pose de quem manda mais que todo mundo, e a cineasta Leni Riefenstahl (Carice van Houten, a Melisandre de Game of Thrones), como um pau mandado gravando seu famoso documentário Olympia, parte da propaganda nazista que essas Olimpíadas representaram.

Raça  não deixa de ser um filme bacana de se assistir, com bom ritmo, figurino e fotografia. As atuações não se destacam mas também não chegam a comprometer, sendo o roteiro raso e conservador o maior problema, com personagens unidimensionais, clichês e uma visão idealizada que não se preocupa em corrigir mal-entendidos históricos: a mocinha traída, o mocinho arrependido, o alemão bonzinho e insatisfeito com o governo, enviado para o front de batalha como retaliação, o Hitler que se nega a cumprimentar o vencedor negro, quando na verdade não foi bem isso o que aconteceu, ignorando que a maior mágoa de Owens jamais foi a falta de cumprimento de Hitler, e sim o total desprezo do próprio presidente americano, Franklin Roosevelt.  Não tiveram coragem de ousar e optaram por um melodrama simplório para contar a história de um ícone esportivo que merecia muito mais após 80 anos sem nenhum grande filme a seu respeito, mas que pelo menos dá pro gasto como uma apresentação introdutória ao lendário James Cleveland Owens.

Um bom filme pra você!

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Título original: Race (Canadá | Alemanha, 2016)

Direção: Stephen Hopkins

Roteiro: Joe Shrapnel | Anna Waterhouse

Gênero: Biografia | Esporte

IMDB: 7,1

 

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3 comentários sobre “#Olimpíadas2016: Raça

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