Kumaré

Sri Kumaré é um guru iluminado do Oriente que veio para a América para espalhar seus ensinamentos. Depois de três meses em Phoenix, Kumaré encontrou um grupo de estudantes dedicados que o abraça como um verdadeiro mestre espiritual. Mas sob sua longa barba, olhar penetrante e seu sorriso sem fim, Kumaré tem um segredo que está prestes a revelar a seus discípulos: ele é uma farsa.

Assista ao trailer:

 

Kumaré é um documentário de 2011 produzido pelo cineasta americano Vikram Gandhi, onde ele tenta mostrar que pessoas que se intitulam líderes espirituais não passam de falsos profetas se aproveitando da fragilidade, carência e ingenuidade de quem busca neles conforto e alívio para suas angústias. Para isso, o próprio Vikram se transforma em um guru indiano disseminador da filosofia Kumaré, inventada por ele – assim como todos os cânticos, rituais e movimentos de yoga repetidos em suas sessões. Para não ser descoberto, Vikram saiu de New Jersey e escolheu Phoenix, Arizona, para começar a agir. Mesmo sem saber direito o que estava fazendo, Vikram se surpreende com o interesse de um grupo de pessoas que ficam fascinadas e passam a acompanhá-lo e a seguir seus ensinamentos. Em todas as “aulas”, Vikram fala sutilmente sobre ser uma farsa, uma ilusão (“eu sou o maior falsário que eu conheço”), mas seus seguidores sempre interpretam como uma metáfora de sua filosofia de olhar para dentro de si.

Vikram Gandhi conta que desde cedo questionava o significado da religião e da espiritualidade, chegando a se aprofundar em estudos religiosos, mas à medida que encontrava cada vez mais líderes espirituais pelo mundo mais ele concluia que tudo era enganação; seu ceticismo só aumentava e mais ele se perguntava por que as pessoas acreditam que precisam de um guia ou um mestre poderoso/extraordinário para se sentirem melhores. Assim surgiu a ideia de se passar por um guru, e ele se preparou por 3 anos para encarar o personagem. No documentário, vemos o grupo de pessoas que o acompanha e como elas realmente acreditam que ele seja iluminado e tenha algo “sobrenatural”, que estabelece uma conexão enérgica e poderosa com suas almas. No início é engraçado ver aquelas pessoas sendo feitas de idiotas, mas quanto mais as relações se aprofundam (tem um ex-viciado em drogas, uma mulher que quer se separar do marido), mais ficamos envolvidos e passamos a nos preocupar com o risco de elas se machucarem e sofrerem se por acaso descobrirem a verdade. Como reagiriam? Confesso que quanto mais o filme se aproximava do final, mais tensa eu ficava tentando imaginar o desfecho daquilo.

Não tem como não pensar na questão ética, claro. Até que ponto podemos considerar genial uma ideia que se aproveita da crença e da boa fé das pessoas para simplesmente provar um ponto de vista? Vikram não pede dinheiro a ninguém (diferente de certos profetas que exploram descaradamente), mas ele de fato usou aquelas pessoas só para mostrar que estava certo (e no fim das contas estava). No entanto, as mudanças que a crença delas provoca, nelas mesmas e no próprio Vikram, são visíveis. Vemos que tudo o que ele fala sobre “vocês não precisam de um guru para serem felizes”ou “o guru que vocês procuram está dentro de vocês” acaba fazendo sentido e surtindo efeito, inspirando e dando força e confiança para seus seguidores enfrentarem a vida e caminharem rumo à descoberta do guru interior, se sentindo melhores emocionalmente e até mesmo fisicamente. Independente de se atribuir valores de certo ou errado, ético ou antiético, a mensagem de Kumaré não deixa de ser um alerta real e verdadeiro: antes de procurar paz, coragem, esperança, salvação e uma nova vida profetizada por um ser exterior/superior/divino, procure dentro de você.

Um bom filme pra você!

 

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Título original: Kumaré (EUA, 2011)

Direção: Vikram Gandhi

Gênero: Documentário | Comédia | Drama

IMDB: 7,5

 

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2 comentários sobre “Kumaré

  1. A proposta desse filme é genial, um verdadeiro exercício para se pensar processos de representação em vários níveis. O ritmo crescente estabelecido para a revelação e o desfecho da história é de tirar o fôlego. Eu achei sensacional e fiquei bem impressionado com tudo que vi.

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  2. Religião é um tema bastante questionável e até polêmico. Mas em muitos casos ela realmente ajuda as pessoas, dá um rumo, motiva. E isso fica claro até na fraude (e temos muitos exemplos, né?). Por isso, “se faz bem a alguém, que mal tem”… fazer o quê.

    Curtido por 1 pessoa

Comentários

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