#1bomdiretor: Wes Craven

Hoje um dos mestres do terror americano completaria 77 anos. Wesley Earl Craven nasceu em Cleveland, Ohio, em 02 de agosto de 1939. Com uma família marcada pela rigidez religiosa, Craven cresceu sem contato com o cinema, até que após a morte do pai, sua mãe passou a deixá-lo com uma família próxima que colecionava fotografias e filmes caseiros, o que despertou o interesse do garoto. Antes de chegar a trabalhar com cinema, porém, Craven se formou em Inglês e Psicologia, concluiu o mestrado em Filosofia e Escrita e chegou a lecionar em universidades. No período em que foi professor, comprou uma câmera 16mm usada e começou a produzir seus próprios curtas. Foi com o convite do amigo e músico Tom Chapin para trabalhar como editor de som em uma empresa de pós-produção em Manhattan, que Craven teve a oportunidade de ingressar na indústria cinematográfica, chegando a participar da edição de um filme dirigido por Peter Locke, produtor que posteriormente se tornou responsável por um dos primeiros filmes de Craven, além de sua continuação e remake (Quadrilha de Sádicos 1 (1977) e 2 (1984), Viagem Maldita (2006)).

Wes Craven começou a escrever filmes no segmento pornográfico, usando pseudônimos e chegou a participar da criação do conhecido Garganta Profunda. Em 1972, ele roteirizou, produziu, dirigiu e editou seu 1º longa: The Last House on the Left  (BR: Aniversário Macabro), que teve a participação de Sean S. Cunningham como produtor. Pra quem não sabe, Cunningham é o criador da franquia Sexta-Feira 13, que junto com A Hora do Pesadelo firmou o sucesso dos slashers (filmes com serial killers mascarados/disfarçados matando geral com facas/”armas brancas”), iniciados durante a década de 1970 com  O Massacre da Serra Elétrica (1974) e Halloween (1978), esse último de John Carpenter (outro mestre). Em Aniversário Macabro, duas garotas são humilhadas e brutalmente torturadas em cenas sádicas de extrema violência gráfica (e psicológica), o que o fez ser proibido em pelo menos 10 países (o filme teve um remake produzido por Cunningham em 2009, A Última Casa). Cinco anos depois, em 1977, Craven realiza Quadrilha de Sádicos, um filme de baixo orçamento igual ao anterior ao explicitar a violência,onde mostra a captura de uma família que viajava para a Califórnia por um grupo de canibais na estrada. Os dois filmes contextualizam bem o cinema de terror da época, com temáticas e representações conspiratórias, ocultistas e sombrias, mostrando também o pior lado dos seres humanos.

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Em O Monstro do Pântano (1982), após a realização de mais dois filmes, Craven parte para a ficção-científica, se baseando em um popular série de revistas em quadrinhos de mesmo nome criada em 1972 por Len Wein (um dos criadores de Wolverine, da Marvel) e publicada pela DC Comics. É em 1984, após ler artigos no Los Angeles Times sobre refugiados asiáticos que se recusavam a dormir após terem terríveis pesadelos, que Craven retira a inspiração para fazer aquele que viria a ser o seu 1º grande sucesso de público e crítica, posteriormente se tornando um grande clássico do terror: A Hora do Pesadelo. Baseado no relato de um jovem em um dos artigos, que dizia estar prestes a enlouquecer pelo medo de dormir, e lembrando de um homem que certa vez durante sua infância o observou na rua e o deixou assustado, Craven elaborou a história de Freddy Krueger, o assassino com a cara queimada usando luvas com garras que atormenta quem cair no sono, invadindo seus sonhos. Lembro que meu tio imitava a voz dizendo “venha para o Freddy!” e corria atrás de mim com as mãos parecendo garras e eu morria de medo! A Hora do Pesadelo, que inaugurou a carreira de Johnny Depp e livrou o estúdio New Line Cinema da falência, resultou em 6 continuações, séries, HQs e jogo de videogame. Até hoje, Freddy Krueger faz parte do imaginário popular e inspira remakes, crossovers ( Freddy x Jason, 2003), referências e aparições em filmes, seriados e jogos (a exemplo do Mortal Kombat 9, lançado em 2011).

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O sucesso de A Hora do Pesadelo, ao lado de Sexta-Feira 13, provocou um rebuliço na indústria cinematográfica de horror, que passou a explorar Freddy Krueger e Jason Voorhees em diversas sequências só mostrando mais do mesmo que acabaram por desgatar o gênero. A popularização dos videocassetes também foi importante para a decadência do terror slasher, auxiliada ainda pela furor provocado pelo terror menos gráfico e mais piscológico de O Silêncio dos Inocentes (1991), com um novo tipo de psicopata. Em meio a crise e ao desgaste, Wes Craven partiu para a direção de alguns episódios da série Além da Imanigação, enquanto trabalhou em títulos esquecíveis. Em 1991, lançou As Criaturas Atrás das Paredes (tem na Netflix), também inspirado em um caso real sobre um grupo de crianças encontradas no porão de uma casa, e desenvolveu uma história com elementos bizarros onde uniu terror e comédia. Em Um Vampiro no Brooklyn (1995), repete a fórmula do terrir mas não obtém o mesmo êxito com os fãs, pelo contrário; é um dos filmes mais desprezados de sua carreira (embora eu goste). Um ano antes, Craven havia feito O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger, a 7ª continuação de A Hora do Pesadelo, contando com o retorno da atriz Heather Langenkamp, a Nancy Thompson, heroína do 1º filme.

O ano de 1996 marca um novo período de reinvenção na carreira de Craven, promovendo uma revitalização no cinema de horror. Pânico chega para resgatar o slasher e revolucionar o estilo, ao ironizar e rir de si mesmo, brincando com todos os clichês de filmes de terror e utilizando a metalinguagem para citar e satirizar seus antecessores. Na pacata cidade de Woodsboro, Califórnia, adolescentes começam a ser assassinado por um serial killer mascarado e não demoram a perceber que todos os mortos estavam ligados à Sidney Prescott, uma estudante cuja mãe havia sido assassinada em um crime que chocou a comunidade no ano anterior. O roteiro de Pânico, escrito por Kevin Williamson, se baseia no caso real do Gainesville Ripper, serial killer americano que fez suas vítimas entre os anos de 1989 e 1990. Craven aparece em uma cena do filme como o zelador Fred, vestindo uma camisa vermelha com listras escuras e chapéu, igualzinho a Freddy Krueger (essa e todas milhares de referências fazem de Pânico um dos meus filmes de terror favoritos). Aqui, Craven estabelece outras heroínas, Sidney Prescott e Gale Wheaters, e inspira uma nova onda de assassinos mascarados perseguindo adolescentes (Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado,  Lenda Urbana) e também uma nova onda de continuações, embora Pânico 2 (1997), Pânico 3 (2000) e seus derivados já não apresentem o fôlego do original.

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Entre as sequências de Pânico, Craven dirigiu o drama musical Música do Coração (1999), com a participação de Meryl Streep, que rendeu indicações em várias premiações, incluíndo o Oscar de melhor atriz e melhor canção original. Concebeu mais alguns títulos de terror entre 2000 e 2005 e em seguida se enveredou pelo romance, como um dos 22 diretores responsáveis por Paris, Eu Te Amo (2006). Após uma pausa de 4 anos, retornou com A Sétima Alma (2010), que conta uma lenda sobre um serial killer que jurou voltar para matar 7 crianças nascidas na noite em que ele morreu e 16 anos depois pessoas começam a desaparecer. Em 2011, dirigiu Pânico 4 (tem na Netflix), que viria a ser seu último trabalho como diretor, antes de falecer vítima de um câncer no cérebro em agosto do ano passado.

Craven estava envolvido em alguns projetos: produtor executivo da série Scream, da MTV, baseada na franquia Pânico (a série está no ar, na 2ª temporada); além disso, trabalhava no desenvolvimento de dois novos seriados para os canais SyFy e Universal: um deles seria a adaptação televisiva de As Criaturas Atrás da Paredes. Em 43 anos de carreira – atuando, roteirizando, produzindo e dirigindo quase 30 filmes – Craven ajudou a redefinir e renovar o terror no cinema mais de uma vez, estabelecendo ícones até hoje lembrados em duas mais maiores franquias de terror de todos os tempos e influenciando inúmeras criações. Chamá-lo de mestre não é nenhum exagero, né?

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