#1boasérie: UnREAL

A série narra a história de Rachel Goldberg, uma jovem produtora na equipe de um reality show de namoros. Seu trabalho é manipular os relacionamentos dos participantes, tudo para conseguir as melhores filmagens pedidas pela exigente produtora-executiva da atração, Quinn King.

Assista ao trailer da 1ª temporada:

 

Descobri UnREAL no ano passado, pouco antes da 1ª temporada ser finalizada.  Lembro que fiquei numa relação de amor e estranhamento, sem saber se indicava ou não para os amigos por ter achado o início um pouco confuso. A curiosidade foi maior e continuei até o fim, o que acabou sendo bem recompensador. A série mostra os bastidores do reality show fictício Everlasting, onde várias mulheres previamente selecionadas disputam um solteiro famoso. UnREAL é claramente baseado em The Bachelor, programa real da TV americana que já tem quase 20 edições. No caso de Everlasting, começamos acompanhando os preparativos para a estreia da 14ª temporada, onde o solteiro da vez é  Adam Cromwell (Freddie Stroma), um playboy inglês que aceitou participar do programa a fim de melhorar sua reputação de mulherengo e garantir alguns parceiros comerciais. Nos bastidores, porém, não se fala em outra coisa que não seja a volta de Rachel Goldberg (Shiri Appleby), uma das produtoras que havia abandonado a atração após um surto psicótico no ano anterior, e portanto o clima de tensão paira no ar.

Os bastidores aliás são o centro da série, uma vez que assistimos a tudo o que leva ao funcionamento do show, desde os critérios de seleção das garotas até a transmissão. Vemos que até chegar ao ar o programa passa por um verdadeiro estratagema para garantir e manter a audiência, e assim, obviamente, 99% das situações são armadas (e quando não são sempre aparece alguém para se aproveitar de qualquer detalhe esquecido para armar por cima). A manipulação corre solta, nao apenas com relação ao que (e como) deve ser transmitido para os espectadores, mas também entre os produtores, que disputam entre si a permanência das candidatas pelas quais são responsáveis; entre as participantes, cada uma querendo chamar mais atenção do pretendente; e entre os executivos que mandam no show, um querendo ter mais poder que o outro. Além disso, Quinn King (Constance Zimmer) e Chet Wilton (Craig Bierko), os nomes por trás do comando do programa, são amantes, e Rachel, a principal produtora, mantém uma relação conturbada com Jeremy Caner (Josh Kelly), um dos cameraman da equipe, e entre todos eles também há manipulações, chantagens, intrigas e traições. Resumindo: todo mundo manipula todo mundo e é manipulado. #money #dick #power

UnREAL é produzida pelo canal Lifetime. A 1ª temporada teve 10 episódios exibidos no ano passado, enquanto a 2ª, que também tem 10 episódios, ainda está no ar.  Em junho a série foi renovada para a 3ª temporada, a estrear no ano que vem. Posso adiantar que a season 2 está muito mais insana que a anterior, e às vezes fica a impressão de que forçaram um pouco a barra. Mas então a gente lembra dos realities que vemos por aí e não fica nada difícil imaginar que rolem altos babados pesadíssimos por trás daquilo que vemos arrumadinho na TV. UnREAL merece sua atenção por escancarar a estrutura dos bastidores de programas televisivos e as estratégias por vezes cruéis que podem ser utilizadas para se alcançar o sucesso esperado. Vale também pelas atuações de Constance Zimmer (que esse ano concorre ao Emmy na categoria melhor atriz coadjuvante emsérie de Drama) como Quinn, uma mulher durona e a verdadeira rainha da p*** toda, e Shiri Appleby, que vive a Rachel e é a protagonista da trama. Vemos que Rachel é uma mulher desgraçada da cabeça totalmente destruída emocionalmente e que o trabalho desgastante e sujo que faz na produção de Everlasting é o grande responsável por seus danos psicológicos e sua atitude desinteressada sobre os sentimentos das pessoas ao redor e dela própria. Está interessante também observar a trajetória de Madison (Genevieve Buechner), uma produtora estagiária que almeja ocupa o lugar de Rachel; é como se estivéssemos vendo o caminho de Rachel até chegar onde chegou e podemos projetar os prejuízos que Madison sofrerá até conseguir o que quer.

O roteiro também está concorrendo ao Emmy, como melhor roteiro em série de drama, ao lado de shows consagrados como Game of Thrones, Downton Abbey e Mr. Robot. E é só assistir ao  1º episódio para ver que os roteiristas não brincam em serviço e não têm pudores sobre nada, muitas vezes colocando o dedo na ferida sem dó, com diálogos afiados e situações impactantes, aparentemente não com o propósito de chocar e sim nos fazer refletir sobre a falsa ideia de glamour e perfeição que a TV passa. É inacreditável e revoltante ver acontecimentos graves serem jogados para baixo do tapete e tratados como simples contratempos a serem contornados de qualquer forma que não arranhe a “imagem” dos produtores, da emissora e do show. Não tem como não traçar um paralelo com situações que já aconteceram em realities, a exemplo do Big Brother Brasil e seus escândalos de abuso sexual na 12ª e na 16ª edições, esta última exibida ainda esse ano – onde um participante assumiu em rede nacional que embebedava menores para manter relações e a Globo ignorou (o participante em questão foi eliminado pelo público e preso algum tempo depois após as investigações policiais apontarem sua culpa). Se está por dentro de tais casos e gosta desse tipo de reality (mesmo suspeitando das manipulações que os rodeiam) UnREAL pode ser a atração certa pra você.

Uma boa série pra você!

 

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Título original: Unreal (EUA, 2015-)

Criadores: Marti Noxon | Sarah Gertrude Shapiro

IMDB: 7,9

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