#1bomjogo: Life is Strange

Assista ao trailer:

Conforme prometido, vou falar com mais detalhes sobre Life is Strange, jogo indicado no especial do Dia do Amigo na última quarta-feira. Falei que é meu jogo preferido por inúmeros motivos, citando alguns deles superficialmente, como as emoções que provoca, a trilha sonora e as referências a filmes e séries. Agora vou especificar mais esses pontos e mencionar outros que fazem com que Life is Strange seja um jogo tão especial para mim e o que faz dele um bom jogo (na minha humilde opinião), a exemplo de sua eficácia em nos fazer refletir sobre as consequências de nossos atos e nossa responsabilidade nas coisas que acontecem ao nosso redor. Se você ainda não o conhece, espero conseguir te convencer a jogá-lo.

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Como já foi dito na postagem referida, Life is Strange é um jogo produzido pela Dontnod Entertainment que foi lançado no ano passado, com 5 episódios, versões para PC, Xbox 360,  Xbox One, PS3 e PS4 e distribuído pela Square Enix (responsável por Final Fantasy, Deus Ex e o reboot de Tomb Raider, por exemplo). Em estilo adventure, cuja foco se mantém no enredo e não na parte gráfica, nos é avisado no 1º episódio que Life is Strange “é um jogo que permite ao jogador influenciar a história. Todas as suas ações e decisões terão um impacto sobre o passado, o presente e o futuro. Escolha com sabedoria…”. O jogador conduz a protagonista da história, a adolescente Maxine (Max) Caulfield, recém-admitida na Academia Blackwell, onde vai estudar fotografia com o famoso fotógrafo Mark Jefferson. A faculdade fica na cidade fictícia de Arcadia Bay, estado do Oregon, onde Max morou até os 13 anos, quando se mudou para Seattle e perdeu o contato com sua melhor amiga, Chloe Price. Agora, aos 18 anos de idade e após várias transformações na vida das duas, Max se pergunta se Chloe ainda é sua amiga.

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No início do jogo acompanhamos Max durante uma forte tempestade, onde ela vê um imenso tornado se aproximando da cidade, prestes a destruí-la. Logo descobrimos que não passa de um sonho de Max durante um cochilo na aula de Jefferson. Atordoada, ela vai até o banheiro no final da aula, e no caminho até o local somos apresentados a alguns dos estudantes da Blackwell e podemos comandar as interações de Max com o cenário. No banheiro, ela é atraída por uma borboleta azul que entra pela janela, ao mesmo tempo em que um garoto bastante nervoso também entra no local. Max se esconde para não ser vista e logo em seguida uma garota de cabelo azul também aparece, iniciando uma discussão com o rapaz, que saca uma arma e acaba atirando nela. Assustada, o primeiro reflexo de Max é estender a mão e gritar, e assim ela se vê novamente dentro da sala de aula, como se nunca tivesse saído de lá. Percebendo que está revivendo os acontecimentos de minutos atrás, ela deduz que tem a habilidade de voltar no tempo, e repete passo a passo suas ações a fim de conseguir evitar a morte da garota de cabelo azul.

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A partir daí, Max passa a interferir nos acontecimentos ao seu redor, a princípio com pequenas ações – como evitar que uma colega leve uma bolada – mas aos poucos perdendo o controle sobre as proporções, a gravidade e o alcance temporal de suas intervenções. O jogo é pontuado por diversos dramas ao longo de cada episódio, que vão desde o desaparecimento de uma aluna da Blackwell até suicídio. O jogador pode explorar os cenários, conversar com os colegas e obter informações que o auxiliem no progresso da história, quase sempre com a possibilidade de voltar no tempo e mudar os diálogos de acordo com aquele que mais o satisfizer (a Max não é afetada, ou seja, qualquer objeto que ela pegue ou tire do lugar continua com ela após voltar no tempo, bem como as informações que ela colhe, podendo ocultá-las e/ou usá-las a seu favor). As falas passeiam entre amigáveis, sarcásticas e indiferentes, o que faz com que Max conquiste amigos, aliados ou inimigos que vão se negar a ajudá-la quando ela precisar.

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Para uma melhor experiência, recomendo fortemente que o jogador se comprometa a conversar com todos, prestar atenção aos pensamentos da Max e interagir sem pressa com o máximo de locais, animais e objetos que encontrar (Max pode ligar o rádio, tocar violão, alimentar um esquilo, regar uma planta) criando cumplicidade, envolvimento e absorvendo o maior número de informações para encaixar todas as peças do quebra-cabeças da trama. É importante também acompanhar o diário da Max, onde ela escreve sobre os acontecimentos e suas impressões sobre os fatos, servindo para complementar as lacunas das experências vividas; além disso, leia todas as SMS que ela recebe dos pais e colegas, para saber que passos seguir. É legal rejogar Life is Strange pelo menos umas três vezes, tomando decisões diferentes, tornando a Max uma garota que se importa com tudo e todos ou simplesmente fazê-la tocar o foda-se, percebendo as mudanças nas reações das pessoas ao seu redor e as implicações de suas atitudes (os textos dos diários e SMS também mudam a cada escolha).

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Surgem certos dilemas de consciência e a algumas vezes a Max fala algo como se estivesse nos forçando a tomar a decisão que ela considera mais correta, mas você pode ignorar isso e arcar com as consequências. Assim, você pode escolher entre confortar ou caçoar de alguém ou decidir não explorar os ambientes, sabendo que tais escolhas podem gerar danos leves – como salvar ou não um passarinho ou conquistar uma inimizade que vai dificultar seu caminho mais pra frente – mas também danos graves – como não saber as frases corretas para dizer e não conseguir livrar alguém de um destino cruel por não confiarem em você (digo, na Max). E não adianta pensar em voltar no tempo, pois nesses casos as decisões não podem ser alteradas. Por isso mais uma vez eu recomendo explorar e interagir sem pressa, se deixando envolver e se compromentendo com a história – o que nem é difícil uma vez que é cercada de mistérios e desafios. Para conquistar os achievements é preciso tirar várias fotos específicas em cada episódio, e descobrir onde, quando e como elas serão tiradas com certeza é uma diversão a mais.

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A maravilhosa trilha sonora de Life is Strange é composta por músicas do gênero indie rock,  com bandas como Alt-J, Bright Eyes, Mogwai e Syd Matters 💜 e a primeira música tocada – To All of You (Syd Matters) – já me deu vontade de abraçar a tela e continuar jogando até o fim da minha vida. O interessante é que a maioria das músicas executadas são parte da playlist da Max e você pode optar por ligar ou não rádio e ouvir Something Good (Alt-J) em determinado momento; em outros ela simplesmente coloca os fones de ouvido sem que você controle ou é obrigada a colocar um CD para tocar. O restante das canções marcam o início ou final dos episódios – eu amo Obstacles (Syd  Matters), que toca no final do 1º episódio e no final do jogo a depender da sua decisão e a emocionante Foals (Spanish Sahara), que também depende da sua decisão para ser executada no final no último episódio.

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Como se trata de um jogo onde a fotografia cumpre um papel relevante, Life is Strange é repleto de referências a fotógrafos conhecidos, como Robert Capa e Richard Averdon, mas também faz diversas citações a ícones da literatura, ciências, música, cinema e seriados de TV. A maioria delas vocês só vai perceber caso escolha ser bacana com as pessoas ao redor e explorar os cenários, bisbilhotando quartos de colegas, lendo emails, e observando os cartazes, pôsteres e pichações espalhadas no campus e demais locais que Max visita. Algumas referências aparecem em placas de carros estacionados ou nas placas ao lado das portas dos dormitórios, como The Shinning, The Sopranos, True Detective, Donnie Darko, Another Earth. Outras estão nos emails, no diário ou nas conversas por SMS ( Scanners, Primer, Scott Pilgrim, Pulp Fiction, Doctor Who, Timecop, Akira, Back to the Future). É um exercício empolgante tentar descobrir todas elas.

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A mecânica do jogo consiste em evoluir na história com o maior número de informações possível a fim de resolver os problemas que surgem, decifrando códigos, decorando elementos, procurando objetos. O tempo médio de conclusão de cada episódio é de 2 horas, vasculhando tudo. No final de cada um é possível ver as estatísticas de decisões tomadas mundialmente ou entre seus amigos. Confesso que me envolvi profunda e passionalmente com a Max (me identifiquei verdadeiramente com aquela hipster xereta, meu deus!), os demais personagens e a história em geral, e mesmo com a habilidade de voltar no tempo para corrigir algumas falhas fiquei extremamente nervosa e angustiada em vários momentos. Quando descobri que em uma situação crucial do 2º episódio eu não poderia usar o poder da Max para mudar a escolha, fiquei absurdamente aliviada de ter bisbilhotado cada centímetro de todos os lugares sabendo assim como reagir e proceder para evitar o pior.

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Os gráficos não são os melhores (pelo menos não na versão para 360), embora eu realmente goste bastante dos designs dos personagens, da direção de arte excepcional e do estilo lembrando aquarela, que compensa a falta de qualidade técnica. Achei algumas tarefas irritantes e o 5º episódio definitivamente bem chato em boa parte do andamento, só melhorando nos 30 minutos finais (que valem muitíssimo a pena); não sei se já estava angustiada para saber o final ou se foi pura exaustão tamanha minha imersão naquilo tudo. Life is Strange é isso: é envolvimento, emoção, se colocar no lugar da Max e se importar com cada um daqueles acontecimentos e pessoas que fazem parte da vida dela, já que sua habilidade recém descoberta (ou adquirida) coloca a responsabilidade sobre a vida de todos em suas mãos. É preciso que o jogador esteja no clima e entre de cabeça naquele mundo para que possa ter uma das melhores experiências de jogo já vividas. A season pass – que dá direito a todos os episódios – custa R$ 27,00 no Steam; na Xbox Live R$ 25,00 (360) e 39,00 (XOne) e na PSN está R$ 30,00. A proveite que o 1º episódio do game está gratuito em todas as plataformas para decidir se vale ou não a pena o investimento – eu garanto que vale!

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Um bom jogo pra você!

 

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Desenvolvedora: Dontnod Entertainment ( França, 2015)

Plataformas: PC (Windows) | Xbox 360 | Xbox One | PlayStation 3 | PlayStation 4

Tamanho: cerca de 1.5 GB por episódio

 

 

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