#1boasérie: Stranger Things

Quando um garoto desaparece, a cidade inteira participa das buscas. Mas o que encontram são segredos, forças sobrenaturais e uma garota misteriosa. Assista ao trailer:

 

OBS.: O texto a seguir contém spoilers

Stranger Things é a mais nova série original da Netflix, disponibilizada pelo streaming na última sexta-feira. A trama narra os eventos que se seguem na cidade fictícia de Hawkins, Indiana, a partir do dia 6 de novembro de 1983, com o misterioso desaparecimento do garoto Will Byers (Noah Schnapp), quando este voltava para casa após uma partida de Dungeons & Dragons com os amigos Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) – preste atenção à dinâmica e diálogos do jogo pois se relacionam com os acontecimentos seguintes. A mãe de Will, Joyce (Winona Ryder) juntamente com o filho mais velho, Jonathan (Charlie Heaton), o delegado Hopper (David Harbour) e os três amigos de Will se empenham então, cada um à sua maneira, em procurar o menino. Ao mesmo tempo Nancy Wheeler (Natalia Dyer), irmã de Mike, procura informações sobre sua amiga Barbara (Shannon Purser), que também sumiu.

Durante uma das buscas, Mike, Dustin e Lucas encontram uma intrigante garota aparentemente com a mesma idade deles, de cabeça raspada e sozinha no meio da floresta. Ela diz se chamar Eleven (Millie Bobby Brown), como mostra uma tatuagem com o número “011” em seu braço, mas não fala muito mais que isso, se limitando a palavras e frases curtas e demonstrando que não sabe muita coisa sobre o convívio em sociedade. Logo os garotos percebem que Eleven esconde segredos que podem estar relacionados ao sumiço de Will. Enquanto isso, várias ~ coisas estranhas ~ acontecem na presença das três crianças e de Eleven, mas também de Jonathan e Nancy, e do delegado Hopper e Joyce, cada um dos personagens cumprindo uma função importante e crescente no desenvolvimento da história, e representando o ponto de vista das crianças, dos adolescentes e dos adultos.

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A série recria a ambientação dos anos 1980 de forma magistral, não apenas com a direção de arte, figurino, caracterização ou fotografia, mas também na narrativa,com a temática científica/espacial/alienígena/paranormal (leia sobre o projeto Moutak, que inclusive seria o nome da cidade fictícia e da série) e na trilha sonora, mostrando que Stranger Things não apenas homenageia os anos 1980 de forma rasa: ela respira os anos 1980 através das situações e cotidiano apresentados e cada um dos elementos retratados, nos fazendo reviver a década com precisão e nostalgia.

Vemos incontáveis referências a elementos que marcaram a geração oitentista e que continuam presentes em nossas vidas, como desenhos, filmes, músicas e objetos | brinquedos. Tem HalloweenEvil Dead, He-Man, X-Men (se você procurar do que se trata a revista X-Men nº 134 que os garotos mencionam poderá encontrar possíveis caminhos que a história tomará), O Enigma do Outro Mundo, a trilha composta por músicas inspiradas em John Carpenter, sucessos de Vangelis e das bandas The Clash, The Bangles, New Order, Toto, Joy Division e citações a David Bowie, sem falar nos walkie talkies, fitas K-7, no videogame Atari e nas constantes menções a O Senhor dos Anéis e Star Wars.

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Stranger Things ainda vai além e escancara sua inspiração em Steven Spielberg, tal como fez J.J. Abrams em seu subestimado Super 8, de 2011. Além do tema alienígena, a história se parece com E.T. _ O extraterrestre em muitos aspectos – algumas cenas são claras alusões a momentos de E.T. e dá para relacionar perfeitamente Eleven à criação de Spielberg: repare a cena em que ela explora a casa; quando os garotos tentam disfarçá-la e quando eles estão fugindo de bicicleta da equipe do governo que tenta capturá-la (o que obviamente não poderia faltar). A série também faz menções a  Tubarão e Poltergeist – O Fenômeno.

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Evoca ainda Stephen King – no mistério, relações de amizade, correspondências visuais (a linha do trem em Conta Comigo) – e também recria diversas cenas e conceitos de filmes das décadas de 1970, 1980 e 1990, como Viagens AlucinantesScanners, Chamas da Vingança, Alien, Videodrome, Arquivo X, se aproximando  também de obras mais recentes como o filme Lucy, de 2014, Fringe (2008 a 2013), The Whispers (2015), e até mesmo Wayward Pines, do ano passado, que contou com a participação dos irmãos Matt e Ross Duffer, criadores de Stranger Things, no roteiro de 4 episódios e co-produção executiva de 2.

No fim, toda essa mistura se encaixa com uma coerência surpreendente; a sensação é de que já vimos tudo isso antes, porém jamais soando como algo superficial, repetitivo ou melancólico e sim como uma obra autêntica e honesta  que traz uma saudade boa do início ao fim para quem vivenciou ou se sente familiarizado com tudo aquilo. Stranger Things é uma série feita para quem não se contenta em assistir algo, e sai em busca de pistas, ligações, referências e explicações, numa pesquisa incansável e confabulações animadas.

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A série foi renovada para a 2ª temporada, cuja estreia está marcada para outubro de 2017 (atualizado em 05/02/17 ). A 1ª temporada tem apenas 8 episódios, empolgação para ver tudo de uma vez não me faltou e acredito que mereça o hype. Stranger Things é divertida e provoca emoções diferenciadas, intercalando surpresa, espanto, tensão, entusiasmo, curiosidade, empatia. A iluminação ajuda a construir o bom suspense; os mistérios instigam; as atuações e personagens são bastante convincentes, principalmente as crianças, cuja química e naturalidade impressionam (estou absolutamente apaixonada por todas elas!).

Winona Ryder não fica para trás e nos entrega uma Joyce Byers intensa, determinada a saber o que aconteceu com o filho e a encontrá-lo, mesmo que pareça loucura. Charlie Heaton me lembrou muito o Kevin Bacon dos anos 1980, Natalia Dyer e David Harbour estão bem em seus papéis de adolescente nerd-estudiosa-que-se-envolve-com-o-atleta-popular-do-colégio e do xerife-canalha-abalado-por-fatos-tristes-ocorridos-no-passado. No geral, achei o elenco bem escalado, bem dirigido e combinando muito, e mesmo encontrando um ou outro defeitinho (questão de opinião sobre meros detalhes, apenas) e a trama se apegando a algumas conveniências e clichês, Stranger Things vale muitíssimo a pena por trazer os anos 80  de volta e isso é tudo o que importa!

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Uma boa série pra você!

 

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Título original: Stranger Things (EUA, 2016)

Criação: Matt Duffer | Ross Duffer

Direção: Matt Duffer | Ross Duffer (6 episódios) | Shawn Levy (2 episódios)

Gênero: Drama |  Suspense | Ficção científica

IMDB: 9,3

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