Filadélfia

Andrew Beckett (Tom Hanks) é um promissor advogado que trabalha para um tradicional escritório da Filadélfia. Após descobrirem que ele é portador do vírus da AIDS, Andrew é demitido da empresa. Ele contrata os serviços de Joe Miller (Denzel Washington), um advogado homofóbico.

 

OBS: Tem na Netflix

O texto contém spoilers

Hoje Tom Hanks completa 60 anos! O ator – que também produz, dirige e escreve roteiros de filmes – nasceu na Califórnia, onde começou a atuar, no teatro da Universidade de Sacramento. Foi somente quando se mudou para Nova York que Hanks conseguiu seu primeiro papel no cinema, em um filme de baixo orçamento chamado He Knows You’re Alone, terror slasher de 1980 (traduzido no Brasil como Trilha de Corpos)No mesmo ano, fez participação em Bosom Buddies – uma série televisiva onde se vestia de mulher, e isso lhe rendeu visibilidade e papéis em outra séries. Em Family Ties (1982-1989) ele conheceu Ron Howard, que viria a ser o produtor de Splash(Uma Sereia em Minha Vida, 1984), filme que fez sucesso no anos 1980  e garantiu sua popularidade.

Em 1988,  Tom Hanks protagonizou Big (Quero Ser Grande) e concorreu ao Oscar pela primeira vez. Até 1993, Hanks estrelou diversos filmes mas foi somente com Filadélfia que ele voltou a se consagrar, conquistando as estatuetas de Melhor Ator no Oscar e no Globo de Ouro.  No ano seguinte ele venceu novamente, pela atuação em Forrest Gump. Ao longo da carreira, Hanks recebeu mais de 70 prêmios, tendo concorrido em mais de 100 premiações. Parabéns pra ele, que é um dos atores preferidos do pessoal do 1 bom filme! A indicação de hoje, Filadélfia, é uma de suas atuações mais marcantes, onde deu vida a Andrew Beckett, um homossexual portador por vírus HIV que é demitido da empresa onde trabalhava por discriminação tanto por sua homossexualidade quanto por ter AIDS.

Andy era advogado em um grande escritório da cidade e tinha acabado de ser promovido quando as lesões provenientes da doença começaram a aparecer sem que ele pudesse disfarçar mais. Ele foi demitido sob a alegação de negligência, ao ter perdido os papéis de um importante caso, embora ele afirmasse que tinha deixado sobre a mesa na noite anterior e o arquivo no computador. O tal arquivo foi milagrosamente encontrado a tempo de ser enviado para o tribunal, mas usaram o pretexto de “não atender às expectativas da empresa” para demití-lo. Andy decide processar o escritório ao perceber que o real motivo era preconceito, mas ninguém aceita representá-lo, inclusive Joe Miller (Denzel Washington), um conhecido advogado com quem ele já havia dividido um caso meses antes. Joe, além de ter medo da presença de Andy em seu escritório, era assumidamente homofóbico.

Porém, notando o desconforto de Andy ao ser discriminado em uma biblioteca – sendo que ele próprio havia sido discriminado por ser negro minutos antes – Joe decide representá-lo. Assim, tem início o julgamento, e eu aviso a quem for esquentado que nem eu para preparar o coração, porque o cinismo dos advogados dos réus do escritório onde Andy trabalhava dá nos nervos (sério, cuidado para não infartar ou explodir de raiva), principalmente Belinda Conine (interpretada por Mary Steenburgen). Quando ela disse “Fato: Andrew está morrendo. Fato: Andrew Está com raiva porque seu estilo de vida e seu comportamento imprudente encurtaram sua vida” eu tive vontade de voar na cara dela, fato! Enquanto isso, a mídia cobria o julgamento e logo as opiniões se dividiram, sempre tendo como foco a orientação sexual de Andy e a forma como acreditavam que ele contraiu o vírus.

Filadélfia é um drama de tribunal que trata o tema da AIDS de maneira sensível e comovente, e que promoveu uma importante conscientização a respeito da doença na época de sua produção, cujo contexto era a epidemia de AIDS e a falta de informação sobre o HIV e suas formas de transmissão, bem como a falta de tratamento adequado, o que infelizmente significava uma sentença de morte para quem descobrisse ser portador do vírus. O filme foi um dos primeiros a falar abertamente sobre a doença e também sobre homossexualidade, representando um divisor na forma como gays e lésbicas eram retratados no cinema, ao trazer um tratamento mais humanizado. Filadélfia ganhou o Oscar de Melhor Canção Original (a impactante Streets of Philadelphia, de Bruce Springsteen), tendo concorrido com outra canção na mesma categoria (Philadelphia, de Neil Young) e nas categorias de Melhor Roteiro Original e Maquiagem.

É fundamental ressaltar o quanto o apoio da família foi essencial para Andy em sua jornada contra seus ex-chefes, embora por outro lado seja triste verificar o preconceito nas diversas formas em que ele é apresentado e o efeito devastador que isso tem na vida de alguém – coisas como não querer se aproximar ou ser tocado por Andy doem em quem está assistindo, imagine em quem passou por essa situação inúmeras vezes. Ao vermos o gesto de Joe Miller em determinado momento já próximo do final do filme, sabemos o quão significativo é – como o personagem foi transformado, aprendendo a respeitar e a conviver com pessoas que ele dizia sentir nojo e odiar. Seria bom que Filadélfia e outros filmes do tipo ensinassem a mesma lição a todo mundo, não apenas em relação a AIDS ou a orientação sexual de cada um, mas em todas as formas de discriminação que ainda persistem na sociedade.

Um bom filme pra você!

 

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Nome original: Philadelphia (EUA, 1993)

Direção: Jonathan Demme

Roteiro: Ron Nyswaner

Gênero: Drama

IMDB: 7,7

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