#1bomdiretor: Vittorio de Sica

Um dos maiores diretores e atores do cinema italiano, Vittorio De Sica nasceu em Sora, Itália, no dia 07 de julho de 1901. Sua estreia como ator se deu aos 16 anos de idade, em 1917, com participação no filme Il processo Clémenceau. Sabe-se que muitas vezes De Sica interpretava a fim de juntar verba para dirigir os próprios filmes. Anos mais tarde, em 1958, ele foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por A Farewell to Arms, filme norte-americano de 1957. Como diretor, sua primeira realização foi a comédia Rose Scarlatte, de 1939, na qual dividiu a direção com Giuseppe Amato – conhecido produtor da época – e também interpretou um dos personagens principais. A história é sobre um casal em crise que faz às pazes após um mal entendido.

Com o tempo, o ator e diretor italiano foi ganhando cada vez mais destaque diante da critica, até que em 1946 seu filme Sciuscià (Vítimas da Tormenta, no Brasil) foi nomeado para diversas premiações, tendo recebido o Oscar honoráro em 1948 em reconhecimento à grandiosidade da obra, uma vez que a categoria Melhor Filme Estrangeiro ainda não havia sido criada. Sciuscià trata das dificuldades de dois jovens abandonados pelos pais que lutam para sobreviver numa Itália arrasada após a guerra. Ainda em 1948, De Sica produziu, dirigiu e escreveu parte do roteiro do que viria  a ser considerado um dos maiores clássicos do cinema: Ladri di biciclette (Ladrões de Bicicleta), baseado no romance de mesmo nome escrito por Luigi Bartolini e com elenco formado por atores não-profissionais. Embora tenha sido um fracasso de público na Itália, Ladri di biciclette se tornou um dos filmes mais premiados da época, recebendo Oscar honorário em 1950 e chegando a ser considerado o melhor filmes de todos os tempos por revistas e críticos internacionais.

Ladri di biciclette é também um dos maiores nomes do neorrealismo italiano, linguaguem estético-ideológica surgida depois da Segunda Guerra Mundial, na qual a realidade era retratada, mostrando os problemas sociais do país após a derrota na guerra, com as ruas servindo como cenários para histórias de desemprego, abandono e falta de esperança vividas por atores desconhecidos. As características técnicas, estéticas e estilísticas neorrealistas se assemelham ao documentário, com imagens acinzentadas, diálogos simples e sem efeitos visuais, cujo objetivo era despertar a consciência política, social e cultural acerca dos problemas vividos na época, derivados da guerra. Ladri di biciclette é sobre um homem que acaba de conseguir emprego mas tem o seu instrumento de trabalho – a bicicleta – roubado e parte junto com o filho em busca do objeto. Vittorio de Sica é considerado um dos pais do neorrealismo italiano, que vigorou entre os anos de 1945 e 1955, tendo produzido outros filmes considerados neorrealistas, tais como:  Sciuscià (1946) , Miracolo a Milano (Milagre em Milão – 1950), Umberto D. (1952) e Il Teto (O Teto – 1956).

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Em 1953, De Sica dirigiu Stazione Termini (Quando a Mulher Erra), em co-produção com realizadores americanos, que trata do drama de uma americana casada que se apaixona por um jovem professor em Roma e não sabe se volta para o marido ou fica com o novo amor. O filme não obteve sucesso comercial, porém concorreu ao Oscar de Melhor Figurino. Em 1963, De Sica volta a ter reconhecimento com o filme Ieri, oggi, domani (Ontem, Hoje e Amanhã) recebendo o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1965 e concorrendo em diversas premiações. O filme fala sobre sobre três mulheres (todas interpretadas por Sophia Loren) muito diferentes e os homens que elas atraem (vividos por  Marcello Mastroianni) em três segmentos distintos. No ano seguinte, o trio trabalhou junto novamente na comédia Matrimonio all’italiana (Matrimônio à Italiana), rendendo nova indicação ao Oscar de filme estrangeiro e a nomeação de Sophia Loren como melhor atriz (ela já havia conquistado a estatueta em 1962 por La ciociara (Duas Mulheres – 1960), também do diretor).

Em 1970, De Sica dirigiu a dupla Sophia Loren e Marcello Mastroianni pela terceira vez, em I girasoli (Os Girassóis da Rússia), que rendeu indicação ao Oscar de Melhor Trilha Sonora. Os dois atores acabaram se tornando uma das mais bem sucedidas parcerias artísticas do cinema, que se estendeu a mais de onze filmes. Ainda em 1970, De Sica dirigiu também a adaptação cinematográfica do romance de Giorgio Bassani Il giardino dei Finzi-Contini  (O Jardim dos Finzi-Contini), uma história dramática da perseguição de uma família judia em Ferrara durante o fascismo, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e foi indicado na categoria Melhor Roteiro Adaptado. Seu último filme, Il Viaggio (A Viagem Proibida), de 1974, baseado num conto de Luigi Pirandello, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, foi lançado dias após a sua morte e contou com nova participação de Sophia Loren – que havia se tornado sua amiga pessoal – mas dessa vez em parceria com Richard Burton.

Em 42 anos de carreira, De Sica recebeu quatro Oscars de Melhor Filme Estrangeiro, ajudando a garantir a Itália como a maior vencedora da categoria. Ao todo, foram mais de 63 trabalhos como ator e 35 filmes dirigidos, com os quais obteve cerca de 25 vitórias em diversas premições e outras 12 indicações. Um dos principais e mais premiados realizadores italianos, Vittorio de Sica morreu em Paris no dia 13 de novembro de 1974, aos 73 anos, após complicações cirúrgicas. Como lembrança de seu nascimento há 115 anos, as dicas de hoje serão todos os filmes comentados no texto, com destaque para Ladri di biciclette, Miracolono a Milano, Umberto D. e Ieri, oggi, domani. 

 

Fontes: Wikipedia | Papo de Cinema | Livro: História do Cinema Mundial, de Fernando Mascarello (págs 191 a 219).


 

  • Os filmes estão em ordem de lançamento:

Ladrões de Bicicleta (1948)

LADRI DI BICICLETTE - Italian Two Foglio Poster by Ercole Brini

Sinopse: Em Roma um trabalhador de origem humilde, Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani), luta para sustentar a família. Precisando de uma bicicleta para começar em um novo emprego, ele se desepera ao ver que esta foi roubada e sai junto com o filho Bruno (Enzo Staiola) para procurá-la pela cidade. O filme é emocionante e mostra uma triste realidade da época. Obrigatório para qualquer cinéfilo.

Milagre em Milão (1950)

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Sinopse:  Uma senhora (Emma Gramatica) adota um bebê abandonado em sua horta e o chama de Totó (Francesco Golisano). Depois de sua morte, o garoto é enviado para um orfanato. Ao completar 18 anos, Totó vai para Milão, onde passa a morar num terreno ocupado por miseráveis, mudando a vida de todos com sua bondade. Após descobrirem petróleo, os moradores são ameaçados pelo proprietário, que manda a polícia desocupar o local. Quando tudo parece perdido, Totó recebe uma ajuda dos céus, começando a fazer muitos milagres. Filme encantador, premiado com a Palma de Ouro de Cannes.

Umberto D. (1952)

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Sinopse: Na Itália do início dos anos 1950, enquanto a economia do país renasce, os idosos sofrem com as miseráveis pensões dadas pelo governo. Em Roma, Umberto Domenico Ferrari (Carlo Battisti), um funcionário público aposentado, é despejado por não conseguir pagar o aluguel de seu quarto. Na companhia de seu único amigo, o cachorrinho Flik, Umberto vaga pelas ruas, buscando apenas um objetivo: viver com dignidade. Fracasso de crítica e público na época do lançamento, hoje é um grande e comovente clássico. Indispensável.

Ontem, Hoje e Amanhã (1963)

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Sinopse:  histórias de três mulheres (Sophia Loren) muito diferentes e os homens que elas amam. Adelina vende cigarros no mercado negro e é casada com o desempregado Carmine (Marcello Mastroianni). Ela é sentenciada a prisão, mas pode escapar enquanto estiver grávida. Sete anos e sete filhos depois, o marido está exausto e a prisão parece algo inevitável. Em Milão, Anna está entediada e resolve dar carona a um escritor. Enquanto isso, Mara chama a atenção de um ingênuo seminarista. Comédia leve e divertidinha que vale a indicação por inovar na criação de três filmes em um só.

Bons filmes pra você!

 

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  • Ladrões de Bicicleta ( Ladri di biciclette. Itália, 1948. Direção: Vittorio de Sica. Roteiro: Oreste Biancoli| Suso Cecci D’Amico | Vittorio de Sica | Adolfo Franci | Gerardo Guerrieri| . IMDB: 8,3 )
  • Milagre em Milão (Miracolo a Milano. Itália, 1951. Direção: Vittorio de Sica. Roteiro: Cesare Zavattini | Vittorio De Sica | Suso Cecchi D’Amico | Mario Chiari| Adolfo Franci. IMDB: 7,8)
  • Umberto D. (Itália, 1952. Direção: Vittorio de Sica. Roteiro: Cesare Zavattini. IMDB: 8,2)
  • Ontem, Hoje e Amanhã (Ieri, oggi, domani. Itália, 1963. Direção: Vittorio de Sica. Roteiro: Eduardo De Filippo| Isabella Quarantotti| Alberto Moravia| Cesare Zavattini | Bella Billa| Lorenza Zanuso  IMDB: 7,3)

 

 

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