Frida

Biografia da artista Frida Kahlo, que canalizou as dores de lesões físicas e do seu casamento tempestuoso em suas pinturas. Baseado no livro de Hayden Herrera.

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OBS: Tem na Netflix

Em 06 de julho de 1907, em Coyoacán, México, nascia  Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón – a pintora mexicana reconhecida mundialmente como Frida Kahlo. Mas não é somente pelo trabalho artístico que Frida se destaca: ela foi uma mulher singular, excêntrica, de personalidade forte, e aparência ~fora dos padrões ~ que não dava a mínima para isso, chegando a cortar os cabelos bem curtos e a se vestir como homem em algumas ocasiões. Definida por muitos como “uma mulher à frente de seu tempo”, Frida Kahlo tinha um espírito revolucionário que a fez militar pelo partido comunista mexicano, era bissexual assumida e se tornou um dos grandes símbolos da luta pelos direitos das mulheres. A história da sua vida é impactante, marcada por grandes dores e sofrimentos provenientes de doenças, acidentes e traições.

Já aos 6 anos de idade, Frida teve poliomielite, que a deixou com uma lesão no pé esquerdo e precisando usar sapatos adaptados e longos vestidos para corrigir e esconder  a irregularidade causada pela doença. Ela chegou a  cursar medicina, mas aos 18 anos um acidente entre um ônibus e um bonde elétrico lhe deixou graves sequelas, sendo preciso a realização de mais de 35 cirurgias, uso de coletes ortopédicos e um longo período de recuperação. Foi então que Frida começou a pintar, com a adaptação de um cavalete sobre sua cama. Ao todo foram cerca de 200 obras, 55 delas autorretratos, justificando ser o assunto que conhecia melhor. Em suas pinturas, Frida retratava suas dores físicas e emocionais e também suas frustrações  – uma delas não poder ter filhos, pois no acidente sofrido em 1925 um tubo metálico atravessou seu corpo e perfurou seu útero. Ela chegou a engravidar três vezes mas sofreu aborto em todas elas.  Frida ainda teve que amputar uma perna em 1950, em consequência da poliomielite na infância, e entre 1950 e 1951 passou por mais sete cirurgias na coluna.

Não bastassem as dores físicas, o relacionamento com o pintor e muralista Diego Rivera (vivido no filme por Alfred Molina) com quem se casou aos 22 anos, lhe rendeu  grande sofrimento emocional, principalmente diante das traições de Diego, que chegou a traí-la com Cristina (interpretada por Mia Maestro), irmã mais nova de Frida, e com ela passou muitos anos e teve 6 filhos. Abandonada por Diego, Cristina foi embora e nunca conseguiu o perdão da irmã. Apesar da relação abusiva e do histórico de traições, Frida passou mais de 20 anos com Diego, entre brigas e reconciliações, até se casarem novamente, tendo ficado juntos até a morte dela. Após o segundo casamento, os dois passaram a viver em casas separadas, uma ao lado da outra e ligadas por uma ponte.

Além do reconhecimento artístico, meio no qual manteve amizades com nomes como André Breton, Pablo Neruda e Pablo Picasso, Frida Kahlo exerceu também importante papel na política, sendo militante ativa do partido comunista mexicano e oferecendo abrigo a Leon Trostky (Geoffrey Rush o interpreta), um dos líderes bolcheviques na revolução russa de 1917, com quem Frida teve um caso. Em 2 julho de 1954, onze dias antes de sua morte, Frida participou, em cadeira de rodas, de uma manifestação contra a intervenção americana na Guatemala. Sua representação enquanto mexicana também foi exercida a partir das vestimentas, através de trajes que exaltavam a identidade, cultura  e raízes do país, repletos de muitas cores e estampas, com destaque para a tehuana, roupa típica de Tehuantepec, região do México marcada pela sociedade matriarcal.

O filme Frida, de 2002 e dirigido por Julie Taymor, tenta mostrar a trajetória dessa mulher intrigante e única que foi Frida Kahlo (interpretada por Salma Hayek), embora peque no foco exagerado no relacionamento amoroso dela com Diego Rivera. Preferiram exaltar a paixão avassaladora que ela sentia por Diego, enquanto o real valor de seu trabalho artístico e militante é pouco explorado. Assim, é meio incômodo perceber que falte bastante da força, da angústia emocional além da influência exercida por Frida em um filme que leva seu nome, cujo enfoque deveria ser a história de sua vida como um todo e não somente a relação tempestuosa com seu marido. Também é péssimo que o filme tenha sido rodado em inglês, uma vez que é uma obra sobre uma artista mexicana, interpretada por uma atriz mexicana e com elenco formado quase em totalidade por atores latino-americanos; tinha a obrigação de ser em espanhol.

Mesmo assim, Frida é um filme que vale como introdução para o entendimento de quem foi essa mulher, desde que você se interesse o bastante para não se restringir à visão do filme e procure mais sobre sua biografia. Além desse filme e do livro no qual ele se baseia, existe um filme de 1983, chamado Frida, Natureza Viva e os diários da artista foram publicados em 1995. Não quero dizer com isso que o filme seja ruim, pois não é. Ele funciona bem sozinho, é muito bem feito e visualmente lindo – os efeitos visuais que transformam os quadros em obras vivas são maravilhosos – juntamente com o figurino e a direção de arte, que chegaram a concorrer ao Oscar. A trilha sonora tem uma força incrível (detalhe para a canção Burn It Blue – interpreteda por Caetano Veloso e Lila Downs, que concorreu ao Oscar de Melhor Canção Original) e foi merecidamente vencedora da premiação máxima do cinema. A maquiagem também foi premiada e a interpretação de Salma Hayek lhe rendeu indicações ao Oscar, BAFTA e Globo de Ouro.

As indicações que fazemos não se baseiam apenas em filmes bons – subjetivamente classificados enquanto opinião pessoal e não verdades absolutas – mas também em filmes que podemos não achar tão bons assim mas que servem para ensinar sobre algo ou alguém: 1 bom filme para aprender determinado assunto; 1 bom filme para saber mais sobre determinada pessoa, por exemplo. No geral, acho Frida  um filme muito bom, embora pudesse ser ainda melhor. É bom tecnicamente e bonito de assistir, vale sim cada minuto – se não levarmos em conta que se trata de uma biografia, pois enquanto obra biográfica de uma mulher tão forte, ousada e corajosa, além de artista excepcional e de influência significativa até os dias de hoje, deixa a desejar. É uma indicação para não passar a data em branco e para despertar a curiosidade de quem ainda não conhece a história de Frida Kahlo, desde que o interesse não seja restrito à visão romantizada do filme. Caso ainda não saiba os motivos de ela ser admirada mundialmente, ou por que ela é considerada um símbolo de luta, resistência, liberdade, feminismo e segue exercendo influência anos após a sua morte, assistir a Frida pode ser um bom começo.

Frida viveu a vida inteira na mesma casa (tirando o período em que morou nos EUA com Diego) e o local, conhecido como Casa Azul, hoje é um museu que expõe seus quadros, fotografias, documentos, roupas e outros objetos pessoais. Frida Kahlo morreu em 13 de julho de 1954 , aos 47 anos, e a causa de sua morte foi declarada como embolia pulmonar, embora não se descarte a hipótese de suicídio, pois ela havia tentado se matar várias vezes antes e a última anotação de seu diário dá margem para essa possibilidade: Espero que la salida sea gozosa y espero nunca más volver (“Espero que a partida seja feliz e espero nunca mais voltar”).

Um bom filme pra você!

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Nome original: Frida (EUA| Canadá| México, 2002)

Direção: Julie Taymor

Roteiro: Clancy Sigal| Diane Lake| Gregory Nnava| Anna Thomas

Gênero: Biografia| Drama

IMDB: 7,4

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2 comentários sobre “Frida

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