Dredd

Em um futuro apocalíptico, os juízes do Salão de Justiça tentam colocar ordem em Mega City 1, uma das novas cidades do Novo Mundo, após ser tomada pela violência e pelo medo. Joseph Dredd (Karl Urban) é um dos mais conhecidos juízes de rua, e certo dia tem a missão de resgatar três corpos em um prédio dominado por uma perigosa gangue, tendo também que auxiliar a novata Cassandra Anderson (Olivia Thilrby) em seu primeiro dia de treinamento. Baseado nas HQs Judge Dredd, de Carlos Ezquerra e John Wagner.

Par ver o trailer, clique aqui

OBS: Tem na Netflix

Dredd é um filme brutal. Violento. Ultraviolento, para ser mais precisa – o que justifica sua classificação indicativa de 18 anos. Mas acredite em mim: é possível ver beleza na violência quando ela parece um cartoon em movimento, retratada em câmera lenta, repleta de partículas brilhantes coloridas e sangue em neon líquido vermelho-vivo.  Em Dredd, acompanhamos um dia na vida do juíz Joseph Dredd, no qual ele fica encarregado do treinamento na rua da novata Cassandra Anderson, que apesar do desempenho pífio nas etapas anteriores, é mantida pela corporação que comanda o Salão de Justiça (uma espécie de “central de juízes”) devido aos seus poderes psíquicos, podendo ler a mente de qualquer pessoa e antecipar suas ações. Eles vão parar em Peach Trees, um prédio de 200 andares dominado por uma gangue criminosa comandada pela perigosa Madeline Madrigal, conhecida como Ma-Ma (Lena Headey – a Cersei Lannister, de Game of Thrones), responsável pela produção e distribuição de uma nova droga pela cidade.

Dredd e Anderson ficam presos no enorme prédio e se tornam alvos de uma verdadeira caçada ordenada por Ma-Ma, enquanto esperam a chegada de reforços. A trama se passa no futuro, após os Estados Unidos serem devastados pela radiação. 800 milhões de pessoas vivem em Mega City One, uma cidade tomada pelo crime e pelo caos, onde todas as leis como conhecemos já não existem mais, tendo surgido em seu lugar os chamados juízes, policiais autorizados a prender, acusar, condenar, executar as penas e também liquidar criminosos imediamente, sem a necessidade de um julgamento em tribunal. Essas são as únicas explicações que os realizadores nos dão, sem se preocuparem em explicar origens, nem como ou porquê. E isso é bom, ao menos no contexto apocalíptico retratado.

Dredd é um filme cru, tanto no tratamento dos personagens quanto das imagens e cenários, e não se incomoda em expor sua violência extrema, pelo contrário: a exalta com um certo orgulho nas bonitas e coloridas cenas em que os personagens estão sob efeito da droga slo-mo (sim, tem a ver com slow-motion), que faz com que o cérebro perceba o tempo passar a 1% da velocidade normal. É no mínimo interessante (e um tanto perturbador) constatar que a beleza do filme – destacada em muita cores, brilhos e tratamento caprichado – seja reservada justamente às cenas mais violentas (há uma ótima sequência já quase no final, onde vemos o ponto de vista da pessoa sob efeito da slo-mo e em velocidade normal, alternadamente). Dredd também não perde tempo com humor nem ironias, embora as HQs nas quais o filme é baseado fossem sátiras do estado de direito (onde cada cidadão está sujeito à lei, incluindo os próprios legisladores) e da autoridade policial na época e local de sua criação, em 1977, na Grã- Bretanha.

O enredo de Dredd é pobre, os personagens são unidimensionais, sem nenhuma profundidade, apenas um monte de gente atirando para todos os lados, com as simples motivações de serem criminosos ou juízes, lados opostos de uma equação e que portanto têm que se enfrentar friamente. Além disso, as conveniências do roteiro chegam a ser ridículas em um filme tão direto, e somos obrigados a vermos bandidos perigosíssimos – munidos de um arsenal de guerra – mas incapazes de acertar um tiro sequer em três pessoas acuadas contra uma parede, além de alguns momentos da tão conhecida conversa fiada dos vilões antes de eliminarem os inimigos. A única pessoa que realmente parece usar a cabeça ao invés de só atirar é a Anderson – devido somente ao seu poder de ler mentes, sua única razão de estar ali.

Apesar disso, assistir a Dredd é uma experiência empolgante. É um filme bom de ver, com trilha e ritmo frenéticos, que mesmo se passando inteiro em um único lugar, é bastante dinâmico, com muita ação. Você não sente o tempo passar, o  que dá vontade de ver de novo logo em seguida, mesmo com toda a violência gráfica apresentada. Também é bacana que a principal antagonista da trama seja uma mulher, uma inovação muito bem-vinda em filmes do gênero. Mas o principal fator que faz com que valha a pena assistir a Dredd é que ele em nada lembra a primeira adaptação do personagem para o cinema, um desastre estrelado por Sylvester Stallone em 1995. Aqui o juiz faz jus às HQs e jamais tira o capacete, mantendo-se subordinado ao cumprimento de seu dever, sem precisar mostrar sua face para promover a justiça e nem a si próprio. Portanto não há nada com que se preocupar nesta adaptação de 2012: é só mais uma história de um dia normal  na vida do juiz Dredd.

Um bom filme pra você!

 

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Nome original: Dredd ( Reino Unido| EUA| Índia| África do Sul, 2012)

Direção: Peter Travis

Roteiro: Alex Garland

IMDB: 7,1

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