1408

Mike Enslin (John Cusack), um escritor especializado em desmascarar ocorrências paranormais, se hospeda no quarto 1408 no Dolphin Hotel, mesmo após receber recomendações para não ficar no quarto, que estava fechado há mais de 11 anos devido a inúmeras mortes e acontecimentos estranhos no local. Logo depois de se instalar, Mike percebe que insistir para ocupar o quarto por uma noite pode não ter sido uma boa ideia.

Para ver o trailer, clique aqui

OBS: Tem na Netflix

John Cusack na chuva, indo para um hotel, enfrentando terrores psicológicos? Estamos falando sobre Identidade de novo? Não, não. O início pode até ser parecido mas os rumos da história aqui são diferentes dos que vemos em Identidade (sem falar que Identidade é suspense e não horror). 1408 é um filme de fantasia/terror psicológico (não espere sustos) baseado em um conto de Stephen King, um dos grandes mestres da literatura do gênero, com várias de suas obras adaptadas para o cinema. O conto está presente no livro Tudo É Eventual, lançado em 2002, e fala de um escritor especialista em escrever sobre lugares supostamente assombrados. O início do filme é bem fiel ao conto, mas o roteiro toma decisões distintas, a meu ver decisões muito felizes, por ajudarem a manter o tom de confusão mental tanto para o personagem vivido por Cusack quanto para o espectador.

O texto a seguir contém spoilers

Mike Enslin (John Cusack) é bastante cético a respeito das assombrações, nunca tendo presenciado nenhuma. Ele está fazendo pesquisas para seu novo livro quando recebe um postal informando sobre um quarto de hotel assombrado em Nova York: quarto 1408 do hotel Dolphin. Logo ele entra em contato para se hospedar no quarto, mas fica intrigado com a veemente resposta negativa da gerência. Insistente e com ameaças de processo, ele consegue o que quer, ainda que o gerente, Gerald Olin (Samuel L. Jackson), tenha tentado convencê-lo do contrário, mostrando registros e arquivos das 56 mortes que ocorreram no local. Mike se sente um pouco assustado mas decide permanecer, curioso com o arquivo macabro e a fim de comprovar que, assim como todos os outros lugares, não existe nada de mal assombrado ou paranormal no quarto 1408.

A princípio, Mike se decepciona ao ver que o quarto aparenta ser tão normal quanto outro qualquer, mas rapidamente percebe que há algo diferente ali, e passa os primeiros minutos tentando achar lógica que explique o rádio que toca uma música do nada ou os chocolates que aparecem misteriosamente sobre a cama. Logo outros acontecimentos estranhos o fazem se perguntar se o quarto é realmente assombrado ou se ele está perdendo a razão e o controle da realidade convencional por algum motivo que não consegue explicar, embora acredite que possa ter sido drogado pelo gerente do hotel. Essa dúvida também invade a cabeça do espectador e segue até o final do filme, que termina sem dar uma resposta concreta, deixando pontas soltas para que cada um entenda da forma que preferir.

No meu caso, não ficou nenhuma dúvida sobre o que aconteceu (ou não aconteceu), mas isso não quer dizer que os artifícios utilizados não funcionaram comigo e sim que dentro do meu entendimento de tudo que vi e ouvi não haveria outra explicação se não a que encontrei, mas outras pessoas podem interpretar de maneira diferente e tudo bem, essa era a intenção dos produtores. Filmaram 4 finais distintos, sendo que o que está disponivel na Netflix é o que mais me agrada e responde mais satisfatoriamente à pergunta sobre o que Mike viveu ter sido ou não real. Há quem diga que 1408 apresente alguns furos (identifiquei dois momentos que podem ser considerados mancadas do roteiro) e erros de continuidade, porém, mesmo isso é questionável, devido à ideia de que tudo poderia acontecer (seja no quarto, por ser assombrado, ou na cabeça de Mike, por estar louco/drogado) e  de ser possível encontrarem explicações plausíveis para eles por causa disso.

1408 apresenta várias referências ao número 13, a começar pelo título, cuja soma resulta em 13 (1+0+4+8 = 13; a tranca do quarto que possui o número 6214 (6+2+1+4 = 13); a primeira morte no quarto que acontece em 1912 (1+9+1+2 = 13) e o endereço do hotel (Lexington Street, 2254. 2+2+5+4 = 13). Referencia também o autor do conto, Stephen King, e suas outras obras (um das vítimas do quarto 1408 se chamava Grady, o mesmo nome de um dos fantasmas de O Iluminado) , além de nos fornecer elementos sutis que ajudam a montar o quebra-cabeças, deixando a última peça em nossas mãos. É interessante notar, por exemplo, que a bebida que Olin entrega a Mike se chama “As Cinquenta e Sete Mortes”, sendo que ocorreram 56 mortes no local. Querem nos fazer pensar que Mike será o próximo a morrer? A atuação de Samuel L. Jackson também gera dúvidas sobre suas reais intenções, afinal, ao tentar convencer o escritor  – acostumado com histórias de terror – a não entrar no quarto, ele queria mesmo que Mike mudasse de ideia e não entrasse ou queria induzí-lo mesmo a entrar, despertando sua curiosidade?

O roteiro de 1408 envolve e prende a atenção, pois qualquer detalhe pode ser importante para solucionarmos o enigma. O conto tem um enredo mais simples e o final é diferente do final que consta na Netflix (os outros finais podem ser encontrados no YouTube), que como já falei, é o que mais agrada, inclusive prefiro o filme ao conto, onde a meu ver tudo acontece e se encerra rápido demais e não explora muito os terrores experimentados no quarto. O filme é mais eficiente em criar o clima de confusão e em deixar o benefício da dúvida, promovendo certa reflexão após o filme terminar. É bom para ser visto com amigos, pois assim como Identidade, as teorias surgem e podem gerar um bom debate (principalmente a respeito da existência ou não dos furos mencionados). As adaptações dos livros de Stephen King costumam dividir opiniões, o que não é diferente com 1408, mas com certeza o filme vale muito mais seu o tempo que certas obras de terror banais, repetitivas e vazias que tenho visto por aí.

Um bom filme pra você!

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Nome original: 1408 (EUA, 2007)

Direção: Mikael Håfström

Roteiro: Matt Greenberg, Scott Alexander e Larry Karaszewski

IMDB: 6,8

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Um comentário sobre “1408

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