Dia do Cinema Brasileiro

Hoje é o Dia do cinema Brasileiro e como não poderia deixar de ser também tem dicas especiais para você aproveitar o melhor do cinema nacional! Essa data foi escolhida porque em 19 de junho de 1898 foram feitas as primeiras filmagens com um cinematógrafo no Brasil, com a chegada do italiano Afonso Segreto a a bordo do navio Brésil, vindo da França. Ele filmou a Baía de Guanabara, tendo assim feito o primeiro registro cinematográfico do país. Porém, desde de 1896 já eram feitas sessões para exibir filmes, tendo a primeira sala fixa sido inaugurada em 1897 na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.

Desde o início, o Brasil sofreu para exibir e produzir os filmes, primeiro por causa do fornecimento precário de energia e depois pela concorrência com filmes estrangeiros, principalmente norte-americanos. As primeiras produções começaram com a chegada de imigrantes italianos, e em 1908 foi produzido Os Estranguladores, um média-metragem de 40minutos que é considerado a  1ª ficção brasileira. Surgem os primeiros atores vindos do teatro e então o cinema brasileiro começa a se estruturar, e a partir de 1911 muitas adaptações de obras literárias começam a ser feitas (Inocência, Iracema, O Guarani).

Apenas em 1932, no governo Getúlio Vargas, foi criada a primeira lei de apoio ao cinema brasileiro,  que determinava a exibição de um filme educativo a cada sessão. A partir de 1939, com o Decreto-lei 1949, os cinemas tinham que exibir também um mínimo de longa-metragens nacionais por ano. Em 1930, é fundado o 1º estúdio brasileiro – O Cinédia- que se dedicou a produzir as conhecidas chanchadas, lançando nomes como Carmen Miranda, Oscarito e Grande Otelo. Em 1941 é fundada a Atlântida Cinematográfica e, no final dos anos 1940, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, ambas as produtoras desempenhando importante papel na produção de filmes brasileiros até o final de década de 1950, quando a televisão começa a ganhar cada vez mais espaço.

Na década seguinte (1960), surge o movimento cinematográfico mais conhecido e relevante do país: o Cinema Novo, com caráter crítico e contestador e objetivo de retratar problemas sociais do Brasil, através do que foi nomeado como estética da fome, focada na realidade.  Inspirados no neorrealismo italiano e nouvelle vague francesa, os diretores do Cinema Novo trocaram os estúdios pelas ruas, com o lema “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”e mostrando a realidade social, política e cultural do Brasil. Os principais nomes do Cinema Novo são Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues e Ruy Guerra.

Em 1969, durante o regime militar, foi criada a Embrafilme, firmando o papel do Estado como financiador, produtor e distribuidor do cinema nacional, obtendo expressivo sucesso até sua extinção em 1990 no governo Fernando Collor, que também extinguiu o Concine (Conselho Nacional de Cinema), a Fundação do Cinema Brasileiro, o Ministério da Cultura, assim como as leis de incentivo e de regulamentação do cinema. A crise dos 1980 também foi fundamental para que o público esvaziasse as salas de cinema e as produções paralisassem.

Somente após a saída de Collor e durante o governo Itamar Franco é que o cinema recebeu novos incentivos, com a criação da Secretaria para o Desenvolvimento do Audiovisual, que liberava recursos através do Prêmio Resgate do Cinema Brasileiro. Posteriormente, a Lei Rouanet (1991) e a Lei do Audiovisual (1993) ajudaram a reestabelecer a atividade cinematográfica brasileira, no que ficou conhecido como Retomada, tendo 3 filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no período: O Quatrilho (1995), O Que é Isso Companheiro? (1997) e Central do Brasil (1998). Nomes como Carla Camurati e Walter Salles se destacam e o filme Cidade de Deus (Fernando Meireles e Kátia Lund), de 2002, marca o fim desse ciclo.

A Globo Filmes surge em 1998 para assumir o monopólio das produções e bilheterias brasileiras, com produções em sua maioria clichês e reproduzindo a fórmula hollywoodiana (Sexo, Amor e Traição, Se Eu Fosse Você e filmes da Xuxa, por exemplo), tendo sido responsável por mais de 90% da receita do cinema nacional em 2003. Segundo a wikipédia, atualmente a Globo Filmes figura no ranking dos dez filmes mais assistidos da Retomada,  com Tropa de Elite 2 ocupando a 1ª posição como o filme brasileiro mais visto de todos os tempos: mais de 11 milhões de espectadores.

De acordo com a Ancine (Agência Nacional do Cinema), em 2013 o cinema brasileiro exibiu “127 longas-metragens nacionais no circuito comercial – recorde histórico para o cinema nacional –, com 27,8 milhões de espectadores, e gerando renda de R$ 296 milhões.”  Filmes como Aquarius, O Som Ao Redor (Kleber Mendonça Filho), Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert) têm movimentado a cena do cinema brasileiro no exterior, e isso só mostra que o cinema nacional segue em expansão e que apesar das críticas, é importante que o Estado continue fomentando a produção cultural do país, não apenas através do cinema mas também com eventos/leis/concursos/editais que ressaltem a relevância das inúmeras formas de expressão cultural na construção da identidade dos brasileiros.

Em quase 120 anos de cinema, é óbvio que muitos títulos de grande expressão deixarão de ser citados, mas essa pequena lista de dicas a seguir não tem a pretensão de ser uma lista dos “melhores filmes brasileiros de todos os tempos”, e sim a reunião de alguns dentre tantos que nós acreditamos serem obrigatórios para se conhecer o cinema brasileiro e acabar com o preconceito que ainda temos em relação às produções nacionais. Que a gente aprenda a valorizar nossa cultura, nosssos diretores, atores, produtores, enfim, todos os realizadores que se empenham na manifestação de nossa cultura e nacionalidade.

 

Fonte: Wikipédia (Cinema do Brasil) 


  • Os filmes estão em ordem de lançamento:

Eles Não Usam Black Tie (1981)

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Sinopse: “Em São Paulo, em 1980, o jovem operário Tião e sua namorada Maria decidem se casar ao saber que a moça está grávida. Ao mesmo tempo, eclode um movimento grevista que divide a categoria metalúrgica. Preocupado com o casamento e temendo perder o emprego, Tião fura a greve, entrando em conflito com o pai, Otávio, um velho militante sindical que passou três anos na cadeia durante o regime militar.” Baseado na peça Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, o filme mostra o movimento operário, o sindicalismo e as condições precárias dos trabalhadores no Brasil. Foi premiado em vários festivais internacionais, com destaque para o Festival de Veneza, onde recebeu o Leão de Prata.

Lavoura Arcaica (2001)

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Sinopse: “André (Selton Mello) é um filho desgarrado, que saiu de casa devido à severa lei paterna e o sufocamento da ternura materna. Pedro (Leonardo Medeiros), seu irmão mais velho, recebe de sua mãe a missão de trazê-lo de volta ao lar. Cedendo aos apelos da mãe e de Pedro, André resolve voltar para a casa dos seus pais, mas irá quebrar definitivamente os alicerces da família ao se apaixonar por sua bela irmã Ana (Simone Spoladore).” O roteiro é baseado no romance homônimo de Raduan Nassar, de 1975. Poesia, performance e fotografia resumem essa obra-prima de quase 3h de duração.

Ônibus 174 (2002)

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Sinopse: “Uma investigação cuidadosa, baseada em imagens de arquivo, entrevistas e documentos oficiais, sobre o seqüestro de um ônibus em plena zona sul do Rio de Janeiro. O incidente, que aconteceu em 12 de junho de 2000, foi filmado e transmitido ao vivo por quatro horas, paralisando o país. No filme a história do seqüestro é contada paralelamente à história de vida do seqüestrador, intercalando imagens da ocorrência policial feitas pela televisão. É revelado como um típico menino de rua carioca transforma-se em bandido e as duas narrativas dialogam, formando um discurso que transcende a ambas e mostrando ao espectador porque o Brasil é um país é tão violento.” Um documentário necessário, de relevância inestimável em inúmeros aspectos sociais.

O Som Ao Redor (2012)

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Sinopse: “A presença de uma milícia em uma rua de classe média na zona sul do Recife muda a vida dos moradores do local. Ao mesmo tempo em que alguns comemoram a tranquilidade trazida pela segurança privada, sob liderança de Clodoaldo (Irandhir Santos), outros passam por momentos de extrema tensão. Simultaneamente, casada e mãe de duas crianças, Bia (Maeve Jinkings) tenta encontrar um modo de lidar com o barulhento cachorro de seu vizinho.” O que (e quem) rodeia a classe média brasileira? Você pode até não gostar, mas não vai ter como dizer que é simplesmente um filme ruim, sério. “Eu tenho recebido minha Veja fora do plástico” é uma das melhores (e mais críticas) falas do ano, hahaha.

Cine Holliúdy (2013)

cine-holliudy-poster

Sinopse: “No interior cearense, em meados dos anos 1970, Francisgleydisson (Edmilson Filho) é um pequeno exibidor que luta para manter sua sala aberta, a despeito da chegada das TVs. Após fracassar em uma cidade, ele e sua família se mudam para o município de Pacatuba, onde encontram uma plateia deveras pitoresca para seus filmes.” O Cinema Paradiso humorístico do Ceará, está na lista por ser um bom entretenimento com personagens que causam identificação e reconhecimento – principalmente pra quem é do nordeste – e por garantir boas risadas.

Bons filmes pra você!

 

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  • Eles Não Usam Black-Tie (1981. Direção e Roteiro: Leon Hirszman. IMDB: 7,9)
  • Lavoura Arcaica (2001. Direção e Roteiro:  Luiz Fernando Carvalho. IMDB: 7,7)
  • Ônibus 174 (2002. Direção: José Padilha e Felipe Lacerda. Roteiro: José Padilha e Bráulio Mantovani. IMDB: 7,9)
  • O Som ao Redor (2012. Direção e Roteiro: Kleber Mendonça Filho. IMDB: 7,1)
  • Cine Holliúdy (2013. Direção e Roteiro: Halder Gomes. IMDB: 6,9)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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