A Irmandade da Guerra

Jin-Tae Lee (Dong-gun Jang), sapateiro e engraxate, trabalha duro para ajudar o irmão mais novo, Jin-Seok (Bin Won), a ir para a faculdade. Órfãos de pai, acabam sendo recrutados para lutar na Guerra da Coreia em 1950. Agora os dois não medirão esforços para voltarem juntos pra casa.

Para ver o trailer, clique aqui (sem legendas)

 

A Irmandade da Guerra, como a tradução do nome original sugere, é um filme sul-coreano sobre família em um contexto de guerra. Jin-Tae vê o irmão mais novo ser recrutado para a A Guerra da Coreia (que durou de 1950 a 1953) às vésperas de completar 18 anos, e na tentativa de convencer os soldados a levarem ele próprio no lugar do caçula, acaba fazendo com que os dois sejam levados juntos, forçadamente. Jin-Tae então se vê na obrigação de proteger Jin-Seok a qualquer custo. À medida que o filme e a guerra avançam, vemos as mudanças causadas no relacionamento dos dois, pois Jin-Seok não concorda com muitas atitudes do irmão mais velho.

A guerra é mostrada com bastante realismo, a maquiagem dos ferimentos é bem feita, com vários momentos chocantes (a censura é 18 anos), mas no fim das contas o que importa é a deterioração da relação dos irmãos e o esgotamento de cada um diante de sua própria batalha pessoal. A prioridade é a família, o que faz com A Irmandade da Guerra não tenha o nacionalismo exacerbado (e chato) que vemos em filmes de guerra americanos: não é um filme feito para glorificar e justificar atrocidades em prol do país. Os irmãos não lutam por ideologia e sim para se protegerem de todos os horrores que a guerra traz e conseguirem voltar vivos e juntos para casa.

A Irmandade da Gerra também é interessante por mostrar os dois lados da guerra sem se posicionar a favor de nenhum deles, exibindo o massacre de civis promovido pelos comunistas do norte e também a histeria anticomunista do sul (com frases como “eu odeio tudo que é vermelho” – muito atual hoje no Brasil, diga-se de passagem), sempre com o mesmo peso para cada lado. A divisão que surge entre os irmãos, inclusive, serve como analogia para a divisão do país e quando eles mudam de lado, cada um com suas motivações, fica óbvio que tal conflito é ainda mais horrível não por se tratar apenas de dois irmãos em lados opostos, mas de um país mergulhado em um confronto onde o inimigo é seu conterrâneo, seu povo, gente de sua própria terra.

Com muita ação, ótimas sequências de combate armado e corporal e uma produção digna de filmes hollywoodianos, A Irmandade da Guerra provoca bastante comoção e impacto, por retratar com muita verdade o drama dos irmãos e também por sabermos que tal guerra aconteceu de fato e deixou mais de 4 milhões de mortos. A chamada “guerra esquecida”, que aconteceu depois (e como consequência) da Segunda Guerra Mundial, deixou muitas marcas que perduram até hoje, e o filme, embora não tenha como foco contar a história de tal guerra em si, serve como um extraordinário registro histórico que se destaca entre outros filmes do gêneros ao levar em consideração o sentimento de muitos que conviveram, e ainda convivem, com as consequências da guerra, sejam físicas ou emocionais.

Um bom filme pra você.

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Nome original: Taegukgi hwinalrimyeo (Coreia do Sul, 2004)

Direção: Je-kyu Kang

Roteiro: Richard Epcar, Ji-hoon Han,  Je-kyu Kang, Sang-don Kim

IMDB: 8,1

 

 

 

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