O Artista

George Valentin (Jean Dujardin) é um astro do cinema mudo que não aceita a chegada dos filmes falados e decide então produzir o próprio filme para mostrar que faria mais sucesso que a novidade que acaba de chegar. No meio disso, ele conhece Peppy Miller (Bérénice Bejo), aspirante a atriz que não demora a ser a principal cara do cinema falado.

Para ver o trailer, clique aqui

 

OBS.: Disponível na Netflix

O Artista inicia com o personagem a que o título se refere, George Valentin (Jean Dujardin), sendo torturado em uma cena de seu filme mais recente. Na tela, aparecem os cartões de fala (intertítulos) de seu personagem: “Não vou falar! Não direi uma palavra!”. E assim, tanto o diretor quanto o ator do filme dentro do filme nos dizem do que se trata essa obra que começamos a ver.

George Valentin é um astro do cinema mudo que se recusa a aderir aos filmes falados, que começaram a ser rodados no ano em que O Artista começa: 1927 (o 1º filme de grande duração com falas foi O Cantor de Jazz). A cena prossegue e vemos o personagem de George, que conseguiu fugir ajudado por seu cachorro,  colocando uma máscara que lembra o Zorro, resgatando uma jovem e escapando de quem os mantinha presos. Vemos o cinema lotado e a trilha sendo executada por músicos ao vivo, como era costume desde a 1ª exibição pública dos irmãos Lumière, em 28 de dezembro de 1895 em Paris, com A Chegada do Trem na Estação ( L’Arrivée d’un train en gare de La Ciotat) acompanhada por um pianista.

O Artista fala sobre o advento do cinema falado, com novos atores, tais como Peppy Miller (Bérénice Bejo), uma atriz e dançarina que começa a fazer sucesso com as produções faladas, e também sobre o declínio do cinema mudo, com os estúdios encerrando as produções, e a resistência de alguns atores à nova tecnologia, a exemplo de George (tal como foi na realidade). O próprio nome do personagem, George Valentin, é uma referência a Rudolfo Valentino, um dos grandes atores do cinema mudo que se recusou a “entrar na onda” dos filmes com som. Douglas Fairbanks também é lembrado na figura do personagem mascarado que vemos na 1ª cena (Fairbanks fez A Máscara do Zorro, em 1922) – ainda que este tenha feito filmes falados, embora tenham fracassado.

Filmado no formato dos filmes antigos (1:33:1, a chamada janela clássica), com cadência reduzida* para simular a acelaração que se via nos filmes mudos, O Artista, apesar de ser preto e branco como no cinema mudo, foi rodado em cores e convertido digitalmente para o preto e branco, tendo que reforçar os cuidados com os contrastes dos figurinos e iluminação já pensando no resultado final. A ambientação e caracterização dos personagens recria com perfeição os anos 1920, e a  trilha sonora dá o tom da narrativa, quase como um personagem ajudando a contar a história. A atuação de Dujean é magnífica, parece que ele veio direto da década de 1920, ficando muito à vontade em cena, com expressões brincalhonas e também tocantes nos momentos necessários. Fiquei emocionada em ver tamanha expressividade na tela. Não foi à toa que venceu três grandes premiações do cinema em 2012, na categoria melhor ator – Oscar, Globo de Ouro e BAFTA.

Com um roteiro simples (porém com várias cenas “bem sacadas”) divertido, alternando entre drama e comédia leve e inocente – reforçada pela presença do cachorrinho que faz a gente se derreter com tanta fofura (infelizmente o cachorro Uggie foi sacrificado no ano passado aos 13 anos),  O Artista ganhou também os Oscars de melhor filme, direção, figurino e trilha sonora, tendo concorrido em 10 categorias no total (roteiro original, atriz coadjuvante, edição, direção de arte e fotografia). O que se pode concluir disso tudo é que além de ser uma verdadeira aula e trazer nostalgia/saudosismo de maneira deliciosamente hábil e prazerosa, O Artista é mais do que uma simples homenagem ao cinema: é uma belíssima demonstração de amor.

Um bom filme pra você!

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OBS: * Na época do cinema mudo a cadência variava entre 16 e 20 frames por segundo (fps), por isso pareciam mais rápidos. Lembre-se que o cinema é uma ilusão de movimento: o que vemos na verdade são fotografias rodadas em determinada velocidade (fps), que faz com que pareçam movimentos contínuos. O olho humano enxerga tais movimentos perfeitamente na velocidade de 24 fps, o que significa que são 24 fotografias por segundo e desde 1929 o padrão é esse (com a chegada do cinema falado, pois rodar em 18 fps causava distorção do som).


 

Nome original: The Artist ( França| EUA| Bélgica, 2011)

Direção e Roteiro: Michel Hazanavicius

IMDB: 8,0

 

 

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