Durval Discos

Durval (Ary França) vive uma vidinha mais ou menos com sua mãe, Carmita (Etty Fraser), na parte de trás de sua loja de LP’s. Um dia, Durval conclui que precisam de uma empregada e então contratam Célia (Letícia Sabatella), que acabar por trazer grandes problemas para Durval e a mãe.

Para ver o trailer, clique aqui

 

Vou ser sincera: talvez você não goste desse filme. Talvez ele lhe pareça bastante esquisito. Mas eu não estou aqui simplesmente para te agradar: também quero te tirar do conforto e transformar sua maneira de ver o cinema, sobretudo o cinema brasileiro. Vai encarar o desafio?

Durval Discos começa com um plano-sequência maravilhoso de mais de 3 minutos de duração. Para quem não sabe, plano-sequência é quando uma cena acontece sem cortes de edição, ou seja, exige bastante dos atores e do diretor (nesse caso, a diretora Anna Muylaert) pois não admite erros. Aproveite essa cena para observar os créditos escritos nos objetos, paisagens, cartazes e placas de rua até chegar à loja que dá nome ao filme. Observe a loja, os discos, as cores, o  Durval. Aprecie a direção de arte que fez tudo aquilo estar ali daquele jeito para você se sentir dentro de uma loja de discos de vinil de verdade nos anos 1990. Nada está ali por acaso, nunca está.

Entre no clima e seja absorvido pela trilha sonora que embala as cenas, e pelas participações de músicos consagrados como Rita Lee e André Abujamra. Não se esqueça de prestar atenção aos diálogos quando questionam Durval de por que continuar a vender vinil em meio à explosão do CD. Em um momento ele responde: “Disco é melhor! Tem o lado A e o lado B, que é completamente diferente!” (lembre-se que o lado B é geralmente considerado mais alternativo, com caráter experimental e não-comercial)

Sem querer ser prolixa (mas já sendo), assistir a Durval Discos me lembrou um trecho da música Equalize, da Pitty: “eu vou equalizar você/ numa frequência que só a gente sabe/ eu te transformei nessa canção/ pra poder te gravar em mim “. Sempre achei genial essa parte, por  ela transformar seu amor em música, traduzindo nessas frases tão literais. Assim fez Anna Muylaert: transformou seu filme em um disco. E então voltemos à frase dita pelo Durval: “Disco é melhor! Tem o lado A e o lado B, que é completamente diferente!”

A frase define Durval Discos perfeitamente: quando tudo parecia caminhar para uma leve comédia tradicional, de repente sofre uma reviravolta e te faz embarcar em uma viagem surreal com  trilha dramática, onde tudo muda sem o menor sentido e te faz sentir um tanto perdido, assim como o Durval, ao ser tirado da rotina monótona.  Mas não se esqueça que em um disco existe o lado A e o lado B, que é completamente diferente. Entenda que para tudo na vida existe um ponto final, ainda que brusco. E saiba que um filme também pode ter dois lados.

Um bom filme pra você!

 

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Nome original: Durval Discos (Brasil, 2002)

Direção e Roteiro: Anna Muylaert

IMDB: 6,9

 

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4 comentários sobre “Durval Discos

    1. Obrigada por comentar, Raul! Pois é, e eu quis falar de Durval Discos justamente por isso, para explicar para quem viesse a não gostar do filme de que é sobre esse contraste que ele se trata, já que a segunda parte pode parecer estranha para quem não está acostumado a ver filmes assim.

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